Isolamento cresce na 1ª semana de lockdown, mas precisa aumentar

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Índice na Capital chegou a 58,7% no Dia das Mães, mas número estimado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 70%. Dados do Detran e da AMC apontam redução na circulação de veículos e queda em acidentes de trânsito

O decreto de isolamento social rígido ou lockdown, que passou a valer em Fortaleza no dia 8 de maio, completa uma semana nesta sexta-feira (15), trazendo mudanças nas ações e endurecendo punições por parte do Governo do Ceará e da Prefeitura da cidade. Veículos passaram a ser fiscalizados, máscaras se tornaram obrigatórias, multas podem ser implementadas em caso de descumprimento da lei e não foi difícil ler notícias em que feiras livres de bairros foram fechadas pela fiscalização. Ainda não é suficiente para conter a contaminação por Covid-19.

Dados tabulados pela empresa de inteligência de dados Inloco apontam que, apesar de aumento médio no índice de isolamento social em Fortaleza desde a imposição da quarentena, os números são similares aos que já haviam sido praticados pelos habitantes da Capital em meados de abril.

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Desde que o isolamento passou a ser obrigatório, o máximo de pessoas em casa, de acordo com o índice, foi de 58,7%, verificado no do Dia das Mães, domingo, dia da semana cujos números são mais altos. Para garantir leitos de UTI e enfermaria a todos os pacientes que vierem a ter Covid-19 na Capital, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o ideal é de, no mínimo, 70% de isolamento.

O índice medido trabalha com a geolocalização de mais de 60 milhões de aparelhos telefônicos no Brasil. A organização afirma que a precisão da plataforma é 30 vezes maior do que o GPS e que as informações são criptografadas e agregadas, o que garante aos dados estatísticos a preservação da privacidade das pessoas.

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Com mais de dez pontos percentuais de distância para alcançar o mínimo de segurança e garantir atendimento hospitalar na rede pública, os gestores projetam a viabilidade dos números ainda não alcançados pela Capital. De acordo com o gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica de Fortaleza, Antônio Lima, o índice é bom, mas precisa ser incrementado.

“Se é ideal 50%? Não é. 58% é um bom número de caminhada, razoável. Agora, é difícil dizer se vamos alcançar 75% em alguns dias, sobretudo do ponto de vista da engrenagem social que a gente vivencia nas cidades brasileiras”, argumenta o epidemiologista, ao considerar que vão haver diferenças espaciais dentro da cidade, onde esse cumprimento é mais fácil de ser realizado, como em bairros mais ricos.

“Acho que 75% é uma meta que a gente vai lutar para alcançar. Estou otimista, pois é o começo do lockdown e, em sete a dez dias, já teremos um modelo novo para saber o quanto ele terá funcionado”, ressalta Antônio Lima. Na visão do especialista, o crescimento de 49% para 58% no índice já foi suficiente para salvar mais vidas, pois “o isolamento rígido salva vidas em progressão exponencial. Cada vez salva mais”.

Conforme o gerente da Vigilância Epidemiológica da Capital, o bloqueio total em Fortaleza serviu para todo o Estado, pois influencia na contenção de saída e entrada de habitantes para outras cidades. Mas, se o índice não subir, há estratégias a serem implementadas a fim de garanti-lo.

“Algumas barreiras dentro da cidade podem ser pensadas, é uma boa ideia. Barreiras no Centro ou que podem se desenvolver para reduzir o fluxo de pessoas. A questão dos bancos, que está sendo resolvida pela Prefeitura com o Ministério Público Federal, também preocupa por causa das aglomerações. Existem algumas medidas que podem funcionar, e o esforço está sendo feito”, cita Antônio Lima.

O trânsito

Por outro lado, o Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran/CE) mensurou dados de volume de veículos em três vias de grande circulação de Fortaleza. A comparação foi feita com dados de antes da quarentena, durante os decretos mais flexíveis e os três primeiros dias de lockdown. O órgão observou quedas abruptas no volume médio de condutores a partir do endurecimento das restrições.

Na Avenida Washington Soares, a média de condutores entre 1º e 19 de março era de 35.500 por dia, quando ainda não havia decreto de isolamento. De 20 de abril a 7 de maio, semana anterior ao lockdown em Fortaleza, 19.200 veículos, em média, circularam pela via em 24 horas. Já entre 8 e 13 de maio, quando o bloqueio total e o isolamento obrigatório estavam em vigor, o volume médio diário caiu para 12.125 carros. A redução, em comparação aos 35,5 mil veículos de antes da quarentena é de 65,8%, relata o Detran.

Algo similar também ocorreu com outras duas vias de grande circulação de Fortaleza. Nas avenidas Senador Carlos Jereissati – conhecida por fazer conexão com o Aeroporto Internacional Pinto Martins – e Ministro José Américo, que corta o bairro Cambeba, a média de redução de condutores quase chegou a bater 55%.

A redução na circulação de veículos foi constatada pela Prefeitura de Fortaleza. Conforme o gestor do município, Roberto Cláudio, o fluxo médio de veículos nos bairros caiu até 80%, assim como no número de usuários de transporte público da Capital. “A gente tem chegado ao menor número (de circulação de veículos) desde o início da epidemia, tem conseguido manter números baixos. Pode sempre melhorar, é bom dizer principalmente em relação aos veículos, mas temos tido uma média muito boa”, disse o prefeito Roberto Cláudio, em transmissão ao vivo, na última quarta-feira (13).

Para o chefe da Vigilância Epidemiológica de Fortaleza, a redução no fluxo de veículos é importantíssima porque está ligada ao fluxo entre os bairros. “Temos transmissão na cidade toda, mas não na mesma medida. Temos áreas em que a magnitude da transmissão é muito maior do que em outras. Por isso, o fluxo de veículos é muito importante de ser inibido”, acrescenta.

Acidentes

Outro indicador que sugere redução na circulação de pessoas no período de distanciamento social é a quantidade de acidentes envolvendo veículos registrada em vias da Capital e do Estado como um todo. A Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC) viu os números caírem 72% entre 20 de março e 30 de abril deste ano, em comparação a 2019. Nesse período do ano passado, ocorreram 2.068 acidentes de trânsito em Fortaleza; em 2020, em igual intervalo de tempo, foram 574. Já nas rodovias estaduais, conforme o Detran/CE, considerando apenas os dez primeiros dias de maio de 2019 e 2020, o número de incidentes caiu de 72 para 19.

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