A inflação sobre o conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) caiu 0,57% em abril. A taxa é a menor para o mês desde 2020, segundo destacaram os dados divulgados nesta quarta-feira (26/04) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Sob influência da trégua dos preços de alimentos, o resultado também ficou abaixo da mediana das projeções do mercado. Adicionando-se o dado de abril, o IPCA-15 desacelerou para 4,16% no acumulado de 12 meses, chegando ao menor patamar desde outubro de 2020 (3,52%). A taxa estava em 5,36% no acumulado até março.
Na visão de analistas, os dados indicam o cenário de desinflação no país. A perda de ritmo dos preços, contudo, ainda é considerada insuficiente para a confirmação de cortes imediatos na taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75% ao ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, órgão responsável pela definição da Selic, está agendada para a semana que vem, nos dias 2 e 3 de maio.
No início do ano, inclusive, a questão da taxa de juros foi motivo de discórdia entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o BC. Lula já defendeu em diferentes ocasiões cortes na Selic e chegou a afirmar que o patamar da taxa é uma “vergonha”.
Os juros elevados buscam esfriar a demanda por bens e serviços, freando os preços e ancorando as expectativas de inflação. O efeito colateral esperado é a perda de fôlego da atividade econômica, porque o custo do crédito fica mais alto para empresas e consumidores.
Aumento e baixa
Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados no indicador registraram alta de preços neste mês. A maior variação (1,44%) e o principal impacto no índice de abril (0,29 ponto percentual) vieram do segmento de transportes. O aumento foi puxado pelo também avanço do preço da gasolina (3,47%). O combustível foi o subitem com o maior impacto individual no IPCA-15 (0,17%) além do avanço nos preços do etanol (1,10%). O óleo diesel (-2,73%) e o gás veicular (-2,17%), por outro lado, registraram queda.
O indicador, no tanto, caiu em razão da desaceleração dos grupos alimentação e bebidas (de 0,20% para 0,04%), comunicação (de 0,75% para 0,06%) e habitação (de 0,81% para 0,48%). O destaque veio da baixa da alimentação no domicílio (-0,15%).
Além disso, em abril, houve quedas nos preços da batata-inglesa (-7,31%), da cebola (-5,64%), do óleo de soja (-4,75%) e das carnes (-1,34%). O destaque para aumento foi do ovo de galinha (4,36%). Já o grupo saúde e cuidados pessoais (1,04%) teve o segundo maior impacto sobre o IPCA-15 deste mês (0,14%), atrás apenas de transportes (0,29%). No segmento de saúde, a maior contribuição (0,06%) foi provocada pelos produtos farmacêuticos (1,86%), em razão do reajuste autorizado de até 5,60% nos medicamentos, que começou a viger desde o dia 31 de março.









