O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), aqui da Região Metropolitana de Fortaleza, teve alta de 0,61% em outubro, interrompendo uma sequência de três meses seguidos de deflação. O índice vem de quedas de 0,65%, 0,74% e 0,65%, respectivamente, em julho, agosto e setembro. Com o resultado, a inflação acumulada no ano chega a 4,82%. Já nos últimos 12 meses, ficou em 6,52%.
O grupo Vestuário teve a alta mais intensa, 2,12%, mas a maior influência no índice geral veio de Habitação, com crescimento de 0,99% e impacto de 0,16 ponto percentual (p.p.) no índice geral. Na sequência das maiores influências estão os grupos de Alimentação e bebidas (0,48%) e Saúde e cuidados pessoais (0,88%).
Brasil
Puxado pelos alimentos, o indicador oficial de inflação do país teve alta de 0,59% no mês passado. A taxa ficou acima das projeções de analistas consultados pela agência Bloomberg, que esperavam avanço de 0,49%. O novo resultado veio após quedas de 0,29% em setembro, de 0,36% em agosto e de 0,68% em julho.
Em 12 meses, o IPCA acumulou alta de 6,47% até outubro, a menor desde março de 2021 (6,10%). O acumulado estava em 7,17% até setembro deste ano. Mesmo com o alívio em 12 meses, o IPCA caminha para estourar a meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) pelo segundo ano consecutivo.
O mercado financeiro projeta alta de 5,63% até dezembro, conforme a mediana do boletim Focus divulgado na segunda (7) pelo BC. O centro da meta é de 3,50% em 2022. O teto é de 5%. “A mensagem é que a inflação segue preocupando. O patamar segue alto”, afirma Mirella Hirakawa, economista sênior da gestora AZ Quest.
Alimentos sobem
Dos 9 grupos de produtos e serviços do IPCA, 8 tiveram avanço em outubro. Os segmentos de alimentação e bebidas e de transportes, que haviam recuado 0,51% e 1,98% em setembro, voltaram a subir no mês passado. Isso ajudou a pressionar o IPCA. O grupo dos alimentos avançou 0,72%. Assim, teve a maior contribuição para o índice de outubro, de 0,16 ponto percentual.
A alta foi puxada pela alimentação no domicílio (0,80%). O IBGE destacou os avanços da batata-inglesa (23,36%) e do tomate (17,63%). Também houve aumentos expressivos na cebola (9,31%) e nas frutas (3,56%). Do lado das quedas, os destaques foram para o leite longa vida (-6,32%), que já havia recuado 13,71% em setembro, e o óleo de soja (-2,85%), que marcou a quinta redução consecutiva.
Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IPCA, lembrou que os alimentos vêm sendo pressionados neste ano por choques de oferta devido a efeitos do clima. “Você vê questões do campo influenciando”, disse. Segundo ele, também há o peso do aumento nos custos de produção após o início da Guerra da Ucrânia. Kislanov ainda mencionou que os preços da comida costumam subir na reta final do ano.
“Agora a gente começa a perceber o efeito sazonal, com aumento de chuvas, o que é bom para o leite, mas ruim para outros alimentos”, apontou. Depois de alimentação e bebidas, os principais impactos dos grupos vieram de saúde e cuidados pessoais (1,16%) e transportes (0,58%).
As contribuições foram de 0,15 ponto percentual e 0,12 ponto percentual, respectivamente. Os três segmentos responderam por cerca de 73% do IPCA de outubro. Nos transportes, o recuo dos combustíveis (-1,27%) foi menos intenso do que no mês anterior (-8,50%). Gasolina (-1,56%), óleo diesel (-2,19%) e gás veicular (-1,21%) seguiram em queda, enquanto o etanol registrou alta de 1,34%.
Ainda em transportes, houve aumento expressivo nos preços das passagens aéreas de outubro (27,38%). Os bilhetes exerceram a maior contribuição individual no IPCA do mês passado (0,16 ponto percentual).
Roupas mais caras
A maior variação entre os grupos veio de vestuário. O ramo subiu 1,22% em outubro. Em 12 meses, acumula alta de 18,48%. “Isso está relacionado com a retomada da demanda, no contexto de melhora da pandemia”, disse Kislanov. Custos de produção pressionados também tiveram influência na carestia das roupas, acrescentou o pesquisador. Apenas o grupo comunicação teve queda de preços em outubro. A baixa foi de 0,48%.










