A inflação não promete ceder para o bolso dos brasileiros neste verão. Na época mais quente do ano, quanto muita gente escolhe viajar, frutas, roupas, serviços de transporte e hospedagem, consumidos no período de férias, subiram bem acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que até novembro do ano passado acumulou avanço de 5,90% no país. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram divulgados nessa segunda-feira (09/01).
De uma lista com 36 bens e serviços que compõem o indicador e que são associados ao verão, 32 registraram inflação superior. As frutas tiveram a maior alta (36,83%), seguido das passagens aéreas (35,02%), roupas de verão, como vestidos (25,41%), camisa ou camiseta masculina (23,29%), saia (21,07%) e bermuda ou short masculino (20,76%).
Itens como hospedagem (20,55%), sorvete consumido em casa (19,16%) e bermuda ou short infantil (18,99%) também aumentaram o preço. Além disso, também sofreram aumento o pacote turístico (17,04%), ônibus interestadual e intermunicipal (16,85% e 7,75%), lanche fora de casa aumentou (10,65%) e refeição (6,80%). O refrigerante e a água mineral subiram 7,16% fora do domicílio, menos do que os mesmos produtos para consumo nos lares (12,51%).
A cerveja para consumo em casa, por sua vez, teve alta de 8,05%. A mesma bebida fora do domicílio avançou 5,94%, mais próxima do IPCA (5,90%). Em razão da inflação, o Banco Central elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic. A medida busca esfriar a demanda por bens e serviços e, consequentemente, conter os preços.
Maior avanço da inflação para 2023
A previsão do mercado financeiro para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país em 2023, passou de 5,31% para 5,36%. Para 2024 e 2025, as projeções são de inflação em 3,7% e 3,3%, respectivamente. As estimativas constam do Boletim Focus, pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Quanto à taxa de juros, para alcançar a meta de inflação, o BC usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, a Selic está definida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa está no maior nível desde janeiro de 2017, quando estava nesse mesmo patamar.
A próxima reunião do Copom deve ocorrer no dia 31 de janeiro e 1° de fevereiro. Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic seja mantida na primeira reunião do ano. Para o fim do ano, a estimativa é de que a taxa básica fique caia para 12,25% ao ano -mesma estimativa da semana passada. Já para 2024 e 2025, a previsão do mercado é de que a Selic fique em 9,25% ao ano e 8% ao ano, respectivamente.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, significa que o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Além da Selic, as instituições financeiras consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, entre os quais risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Do contrário, ou seja, quando o Copom reduz a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, o que incentiva a produção e o consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
Com relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas do país, a projeção de crescimento passou de 0,80% para 0,78%. Para 2024, o mercado financeiro manteve estável a expectativa de crescimento da economia em 1,5%. Para 2025, estimativa ficou em 1,90%. Já a projeção para a cotação do dólar para este ano ficou em R$ 5,28. Para 2024 e 2025, a projeção é de que a moeda fique em R$ 5,30.








