Infectologistas preveem aumento expressivo de casos nas próximas duas semanas

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Sul e Sudeste devem concentrar as ocorrências. Diminuição pode levar meses

s próximas semanas devem ser de aumento no número de casos no Brasil, de acordo com projeções feitas por especialistas, ainda que haja um clima de incerteza a respeito do comportamento do novo coronavírus em terras brasileiras. Segundo o balanço divulgado pelo Ministério da Saúde na tarde de ontem, há 77 casos confirmados no País, sendo 42 só em São Paulo.

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) também divulgou um comunicado que afirmava que a epidemia é dinâmica, e que diferentes cidades e estados podem apresentar fases distintas do surto, sendo “possível que algumas cidades brasileiras, com maior probabilidade para ocorrer em São Paulo, seguida do Rio de Janeiro, entrem na fase de transmissão comunitária nos próximos dias ou poucas semanas. Essas duas cidades são as mais populosas do Brasil e com grande número de viajantes”, informou o texto.

De acordo com Raquel Stucchi, infectologista e professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o conhecimento que se tem até agora sobre o Covid-19 é baseado no Hemisfério Norte e que há apenas conjecturas sobre como a doença irá se desenvolver no Hemisfério Sul. “Toma-se como exemplo os casos de Cingapura para fazer uma relação com o Brasil, dada a similaridade do clima de lá com o nosso, mas na verdade não sabemos dados importantes para tirar conclusões mais acuradas, como por exemplo, a capacidade de diagnóstico deles”, aponta.

“A expectativa é a de que não tenhamos muitos casos, por causa do nosso clima nessa época do ano. Mas há um inconveniente, que é o fato de que não o verão estar atípico no Sudeste e que o Outono está chegando, o que pode favorecer a propagação do vírus. Também não é possível afirmar como o vírus vai se comportar no clima quente do Nordeste, por exemplo”, completa. A médica prevê duas ou três semanas com muitos casos, como foi no Hemisfério Norte, sendo necessário alguns meses para a diminuição. Outra preocupação adicional seria o aumento da incidência, no período, de outrais doenças virais como o H1N1 e Influenza B.

Para a médica Karen Mirna Loro Morejón, infectologista no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, a tendência é o aumento nos casos, nas próximas semanas, e posterior declínio, a exemplo do que está acontecendo atualmente na China. Questionada se há necessidade de se evitar aglomerações, dada a declaração de pandemia feita na quarta-feira, 11, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a médica é cautelosa. “De acordo com o Ministério da Saúde, ainda não é necessário, mas é preciso destacar que o cenário é um hoje e pode ser totalmente diferente amanhã. Algumas instituições aqui na região Sudeste já estão fechando temporariamente”, pondera.

De acordo com o informe da SBI, nas cidades (ou estados ou o País todo) em que a epidemia na fase de transmissão comunitária continue a evoluir, geralmente passando de mil casos, devem considerar fechamento das escolas, faculdades e universidades; interrupção de eventos coletivos, como jogos de futebol e cultos religiosos; fechamento de bares e boates, dentre outras medidas.

Espanha

Diante do forte avanço do coronavírus, as autoridades espanholas colocaram em quarentena várias cidades, e anunciaram o fechamento de escolas e universidades em todo o território. A Espanha é um dos países mais afetados na Europa pelo vírus, junto à Itália, França e Alemanha. No país, há 3.052 casos registrados e 84 óbitos.

É preciso evitar aglomeração mesmo sem casos confirmados

inda sem caso confirmado do novo coronavírus (Covid-19) no Ceará, há dúvida quanto às medidas de segurança a serem tomadas antes e depois do fato se consumar. Entre as ações está evitar grande fluxo de pessoas em um mesmo ambiente.

Para o infectologista Érico Arruda, o indivíduo precisa evitar aglomerações apesar de assintomático ao Covid-19 ou de notificação positiva para o vírus. Ele lembra que os espaços com muitas pessoas são propícios a proliferação de outras enfermidades, como gripes e resfriados comuns.

“Quando na presença muita gente em um mesmo lugar, tente ficar distante da maioria. Se for impossível, evitar maiores contatos. Agora, é a hora de pensar se o cumprimento com a mão é necessário. Se ocorrer, na primeira oportunidade, lave as mãos. Caso não consiga, evite levá-las ao contato com nariz, boca ou olhos”, alerta o professor da Universidade Estadual do Ceará.

Ele preocupa-se, no entanto, com “determinação arbitrária” de que um lugar com 100 pessoas é considerado aglomeração. O médico enfatiza que não há evidência científica nisso. Mesmo assim, ele destaca a articulação do Ministério da Saúde com Congresso Nacional, secretarias estaduais e municipais. Para o especialista, o órgão federal atua com transferência. (Ítalo Cosme)

Fonte: O Povo

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