Funcionalismo eleva pressão por reajuste salarial no ano que vem

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Frente à perspectiva de que só policiais terão aumento salarial no ano que vem, cresce a pressão de outras categorias do funcionalismo sobre o governo. Depois de os auditores da Receita Federal iniciarem as mobilizações, os auditores fiscais federais agropecuários também decidiram reduzir o ritmo das atividades em todo o país. Além disso, diversas categorias se reunirão na quarta-feira para discutir a campanha por reajuste.

Em assembleia realizada ontem, auditores agropecuários decidiram iniciar operação padrão, mantendo o ritmo normal de trabalho somente nas atividades que podem afetar diretamente a população. A categoria afirma que foi preterida no Orçamento de 2022 após o governo federal já ter “sinalizado com a possibilidade de inclusão da carreira na reestruturação salarial, junto com outras categorias”.

Em nota, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) argumenta que o tratamento desigual pode comprometer “o desempenho de um dos setores que mais contribuíram para alavancar a economia do país” durante a crise gerada pela covid-19, o agropecuário.

Para o presidente do sindicato, Janus Pablo, o governo “emitiu um recado claro” de que não valoriza o trabalho dos auditores “nem os resultados positivos alcançados pela cadeia produtiva do setor agropecuário”.

Com a decisão aprovada, não serão afetadas áreas como a liberação de cargas vivas, a fiscalização de bagagens de passageiros e de animais de companhia, produtos perecíveis e o diagnóstico de doenças e pragas. O sindicato afirma que durante a mobilização os auditores “atuarão obedecendo estritamente as leis que regem o serviço público, garantindo a segurança alimentar da população”.

Em outra frente, o presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques, explica que haverá uma primeira reunião das categorias na quarta-feira para “encaminhar um calendário de mobilização na janela curta que existe, de três meses”. Ele frisou que, pela legislação, a concessão de reajustes só pode ser feita até seis meses antes das eleições.

O fórum reúne 37 entidades de carreiras típicas de Estado. Marques afirma que o período de negociação será pequeno e, por isso, a articulação precisará ser intensa. “Vamos ter que fazer uma mobilização forte o suficiente para abrir o canal de negociação com o governo e depois para que tenhamos condições de apresentar uma proposta consistente.”

Ele destacou que a campanha salarial ficou em segundo plano neste ano devido às mobilizações em torno da reforma administrativa e da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios. A previsão de reajuste para policiais impulsionou as discussões por um aumento que abarque outras categorias.

“A gente não tinha tido tempo para se dedicar à campanha salarial, ainda que todos os servidores federais estejam com o salário congelado. Esse aceno para as policias, que é um reajuste legítimo, impulsionou a campanha salarial dos demais servidores”, disse. Ele acrescentou que, agora, as categorias buscam se organizar em um momento difícil para mobilização, com o recesso de fim de ano.

Os auditores fiscais da Receita já haviam aprovado na quinta-feira a paralisação de todos os projetos nacionais e regionais do plano operacional do órgão, a adoção de operação padrão nas aduanas e o apoio da entrega ostensiva de todos os cargos em comissão e funções de chefia do fisco.

Ontem, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Sindifisco) informou que 738 auditores em postos de chefia já entregaram seus cargos. Segundo a entidade, isso representa 93% dos delegados (chefes de unidade) do país.

Em nota, o sindicato afirma que todas as áreas são afetadas pela mobilização “com destaque para as alfândegas, portos e aeroportos, e pontos de fronteira do país, com maior lentidão nas importações e exportações”. Acrescenta, no entanto, que devido ao período de recesso de fim de ano, o impacto é menor e a tendência é que, em janeiro, haja “um represamento importante, inclusive de importações e exportações de alimentos”.

A entidade diz que foi solicitada uma audiência com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e que, “enquanto não houver uma sinalização inequívoca por parte do governo de que a pauta da categoria será atendida, o movimento tende a recrudescer”.

Procurados, os ministérios da Economia, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Casa Civil não responderam até a conclusão desta edição.

Fonte: Valor Econômico

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