Artigo: “Cadê a compassividade que deveria estar aqui?”, por Francisco Wildys de Oliveira:

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Por Francisco Wildys de Oliveira, diretor de Assuntos Funcionais e Jurídicos do Sintaf

Em época de pandemia alguns temas devem estar na ordem do dia, não só em favor dos que passam necessidades primárias, mas também dos que estão fora do radar do governo em termos de assistência social. Então, as perguntas que não querem calar:

Cadê os bilhões de reais resultado da superconcentração de renda (no País mais desigual do planeta), que deveriam ser empregados no combate à pandemia e a economia voltar a gerar ganhos, lucros e dividendos? Segundo a revista Forbes, em 2012, tínhamos 74 bilionários com patrimônio declarado de R$ 346 bilhões; em 2019, eram 206 bilionários que detinham mais de R$ 1,2 trilhão (quase 20% do PIB brasileiro). Em seis anos esse patrimônio quase triplicou. A soma de toda a riqueza das famílias brasileiras é de cerca de R$ 16 trilhões de reais, estando quase metade de toda essa riqueza nas mãos de apenas 1 % das famílias. Um percentual mínimo de 1% dessa riqueza não resolveria a questão do enfrentamento da Covid-19?

Cadê a acumulação de riqueza fruto dos benefícios fiscais (4% do PIB), Refis (só a União deixou de arrecadar R$ 176 bi nos últimos 10 anos) e com sonegação (8,4% do PIB)?

Cadê os patrimônios acumulados na privatização do patrimônio público financiado pelo BNDES a juros de 5% ao ano ao tempo em que a inflação beirava os dois dígitos?

Cadê o espírito cristão da senhora herdeira do grupo Safra que doou 20 milhões de euros (ou R$ 115 milhões) para Paris reerguer a Catedral de Notre-Dame?

Cadê os recursos do Fundo Soberano de R$ 26,3 bilhões? Acaso só os municípios de Niterói, Maricá e São Gonçalo, no RJ, os pouparam e os estão a empregar na luta contra o vírus?

Cadê os recursos do superávit comercial do Brasil (U$ 401 bilhões)? Por que não utilizar um percentual desse valor? A economia, ao se recuperar, o saldo não tenderia a voltar a crescer?

Cadê a tributação das grandes fortunas (que está previsto na Constituição e até hoje não regulamentado)? Estas fortunas não foram acumuladas em decorrência de isenção de lucros e dividendos? Por que não revogar esta isenção? Por que não chamar a contribuir com o custo humanitário as seis famílias que juntas detêm mais que o patrimônio de 104 milhões de brasileiros?

Fonte: Jornal O Povo (edição de 29/04/2020)

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