A dona de casa Vera Pereira, de 64 anos, vem sentindo no bolso um certo alívio quando vai ao supermercado fazer as compras do mês. “Não é o ideal, mas se comparar com o que ocorria há alguns meses atrás quando a maioria dos produtos estava em pleno aumento, a redução de alguns já pode ser sentida aqui em casa. O orçamento está mais adequado para a nossa realidade e já é possível perceber redução dos preços de alguns produtos ou estabilidade”, contou.
A percepção dela deve ser a de muitos consumidores da cidade de Fortaleza e da Região Metropolitana, uma vez que em junho houve deflação de 0,40% na capital. Foi o que identificou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ao divulgar, nessa terça-feira (11/07), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador considerado a inflação oficial do país.
Mas o que exatamente esse indicador significa no bolso do consumidor? Na avaliação do especialista em investimentos e sócio da M7 Investimentos, Thomaz Bianchi, o cenário é positivo do ponto de vista econômico e com impactos positivos para o consumidor final. “A inflação já tem tido um comportamento de arrefecimento nos últimos meses, inclusive abaixo das expectativas de mercado, o que é bom, pois corrobora para que o Banco Central possa implementar uma política de redução da taxa de juros, que atualmente está em 13,75% ao ano. É claro que a situação não é uniforme para todos os produtos da cesta do IPCA, mas uma queda em produtos específicos, o que permite essa apuração. Por outro lado, é fato que está ocorrendo hoje uma descompressão.
A respeito do impacto da medida para o consumidor, o especialista disse que a redução contribui com a percepção de que a política adotada pelo Banco Central já vem sendo percebida, o que pode ser observado com a redução da inflação. “Para o consumidor impacta positivamente, pois tendo juros menores facilita para o acesso ao crédito. Já com relação a alguns produtos da cesta também facilita, pois gera menor impacto no bolso do consumidor. É uma descompressão, muito embora alguns preços caíram em detrimento de outros, mas só o fato de não aumentar já é muito bom”, destacou.
Dados
A redução da inflação na capital cearense em junho foi a quarta maior do país, atrás apenas de Goiânia (-0,97%), São Luís (-0,62%) e Rio Branco (-0,50%). No acumulado do ano, o índice é de 2,69%. Já nos últimos 12 meses, a inflação ficou em 2,13%.
A deflação observada em Fortaleza também foi sentida em todo o País. No mesmo período, o indicador ficou -0,08%. Esta é a primeira vez no ano que a inflação fica abaixo de zero no Brasil. A última vez em que a inflação apresentou queda foi em setembro do ano passado. Esse é também o menor resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para um mês de junho desde 2017, quando o índice foi de -0,23%.
Produtos em queda em Fortaleza
Transportes (-2,72%)
Artigos de residência (-0,27%)
Alimentação e bebidas (-0,25%)
Comunicação (-0,21%)
Educação (-0,03%)
Produtos que subiram em Fortaleza
Saúde e cuidados pessoais (0,94%)
Habitação (0,31%)
Vestuário (0,23%)
Despesas pessoais (0,17%)







