FMI sugere cobrar imposto temporário a empresas com lucro elevado na pandemia

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O FMI (Fundo Monetário Internacional) sugeriu aos países que enfrentam problemas de falta de recursos públicos que avaliem aumentar as taxas sobre empresas que tiveram lucros acima da média em meio à pandemia.

“Para aliviar o peso sobre as finanças públicas, altas temporárias de impostos sobre lucros excessivos poderiam ser consideradas. Isso ajudaria a captar de volta algumas das transferências [de recursos públicos] a companhias que não precisaram delas”, aponta o fundo, em um capítulo de seu relatório sobre as perspectivas globais, publicado nesta semana. O documento, no entanto, não detalha como esta taxação poderia ser feita na prática.

O FMI aponta que muitos governos deram auxílios econômicos durante a pandemia, como reduções de impostos, que ajudaram empresas e famílias a terem menos dificuldades. No entanto, isso levou ao aumento do endividamento dos governos, que agora possuem menos espaço de manobra para seguir dando apoio em áreas que ainda precisam de ajuda.
No Brasil, por exemplo, a dívida pública federal deve alcançar R$ 6,4 trilhões neste ano, segundo previsão do Tesouro Nacional. Ela fechou 2021 em R$ 5,6 trilhões.

O fundo realiza nesta semana suas Reuniões de Primavera, em Washington. Em vários documentos e eventos, diretores da instituição recomendaram que os países busquem meios de ajudar as pessoas mais pobres a terem acesso a comida e combustíveis, por meio de ações como subsídios diretos. No entanto, ponderaram que essas ações devem ser calibradas de modo a ajudar realmente quem precisa, por tempo determinado, para não gerar problemas fiscais no futuro.

As altas de juros, adotadas pelos bancos centrais para conter a inflação, podem também piorar o endividamento dos governos, gerando ainda mais necessidade de captar recursos.
Assim, a taxação de empresas que tiveram altas expressivas nos ganhos durante a pandemia poderia gerar mais caixa para dar apoio aos vulneráveis e também a empresas e setores que tenham sido duramente afetados.

Nos últimos anos, empresas de tecnologia tiveram grandes ganhos por conta do aumento do uso de ferramentas digitais como opção para trabalhar, estudar e se divertir durante os períodos de isolamento social. A Alphabet, dona do Google, teve lucro de US$ 76 bilhões em 2021, 89% a mais do que o obtido em 2020, por exemplo.
Por outro lado, setores que dependiam do contato presencial, como comércio de rua e turismo, tiveram grandes perdas.

O FMI já tinha defendido a taxação a lucros fora do comum outras vezes nos últimos anos, por considerar que várias empresas acabaram se beneficiando dos auxílios criados em meio à pandemia, direta ou indiretamente, sem, de fato, precisarem deles.
Nesta semana, o fundo também divulgou suas projeções econômicas. Em comparação ao relatório de janeiro, a entidade reduziu sua expectativa de crescimento da economia global, de 4,4% para 3,6% em 2022. O Brasil deverá crescer 0,8% neste ano, projeta o estudo.

Fonte: Folhapress

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