Empresas avançam em acordos para destinar energia produzida no hub de hidrogênio

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| NEGÓCIOS | Movimentos bilionários visam atender demanda futura de energia no processo de mudança de matriz energética. Governo projeta maior interiorização do projeto

Com protocolos assinados no hub de hidrogênio verde (H2V) do Ceará, empresas como a Qair e Fortescue Future Industries (FFI) já viabilizam acordos com empresas de diversos segmentos para consumir a energia a ser produzida no Ceará nos próximos anos.

Atualmente, o Ceará possui 19 memorandos de entendimento assinados, três por assinar e outros sete em fase de negociação para implantação de plantas de produção de H2V. Se levar em consideração as cadeias correlatas, como projetos em energias renováveis, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho (Sedet) do Ceará fala em algo próximo de 50 projetos.

A Fortescue possui o maior deles. O investimento no Ceará é de cerca de US$ 6 bilhões em usina no Complexo do Pecém. O pré-contrato para construção foi assinado em junho passado. A meta da empresa é iniciar a produção no Ceará em 2025 e alcançar 15 milhões de toneladas de H2V produzidas até 2030. Ainda esperam alcançar a escala de 50 milhões de toneladas na próxima década ao redor do mundo. Tudo com financiamento próprio.

Mas, segundo Luís Viga, gerente-geral da FFI no Brasil, o projeto da empresa em H2V não se restringe às plantas produtoras. A ideia é criar uma cadeia com capilaridade de produção, demanda e fornecimento.

A empresa lançou na Austrália o projeto para produção de eletrolisadores (dispositivo que permite produzir H2V por meio do processo químico de eletrólise), mas também no desenvolvimento de novas cadeias de demanda, como na indústria automobilística e aeronáutica.

A FFI já assinou memorandos para fornecimento de H2V produzido no Ceará para a necessidade de empresas como a Airbus, E.ON, JCB, além de estar desenvolvendo tecnologias para o lançamento de caminhões de carga para mineração, motores de navio e trens movidos à amônia, além de ferro verde sem carbono e cimento verde.

“Adquirimos várias empresas, como a Williams Advanced Engineering – Fórmula 1, em que pegamos a tecnologia da Fórmula 1 e trouxemos para a FFI. Temos 400 engenheiros de lá trabalhando em projetos da Fortescue”, enfatiza.
Segundo o diretor de operações (COO) da Qair Brasil, Gustavo Silva, a ideia da empresa é acelerar na costura de acordos comerciais para H2V, garantindo fornecimento para as próximas décadas a preços rentáveis para a companhia.

A ideia da empresa é que as duas plantas produtoras de H2V no Brasil (Pecém e Suape, com investimentos de US$ 2 bilhões, cada) sejam as grandes fornecedoras da demanda do norte da Europa, que são locais altamente dependentes da importação de energia, principalmente do gás da Rússia. “Os atores internacionais, após a pandemia, estão se reposicionando para buscar segurança energética e alimentar, se voltando para o mercado do futuro”, afirma.

Algumas das principais iniciativas foram apresentadas ontem no Fiec Summit 2022 – Hidrogênio Verde, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). O evento segue com programação até hoje, 4/8.

Combustível do Futuro

Na abertura, o presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, destacou que o H2V deve ser futuramente “a commodity energética que vai substituir o petróleo”.

O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, destaca que a demanda por energia desses empreendimentos é grande, mas o Governo Federal trata como prioridade a viabilização dos projetos eólicos offshore no que se refere ao setor de energia no Brasil. São 66 projetos em análise no Ibama, 11 deles sendo do Ceará, num potencial de geração de 166 GW.

“Só para termos uma ideia do tamanho disso: De todas as fontes disponíveis, o Brasil produz 180 GW. É uma oportunidade gigantesca. E os estudos do Banco Mundial, União Europeia e estudos próprios, falam em potencial de 700 GW. Então o Nordeste deve ser o grande produtor de energia limpa para o mundo”.

O ministro completa: “O caminho é esse: trazer solução, gerar emprego e industrializar o nordeste, que terá energia verde, renovável e limpa. Vamos ajudar a criar essa nova economia verde”.

A ideia da governadora do Ceará, Izolda Cela, é que o projeto do hub de H2V no Ceará não fique restrito ao Porto do Pecém, mas que haja uma forte interiorização que gere empregos em municípios mais afastados. Isso aconteceria graças à alta demanda de energia que os processos de produção de H2V teriam.

“O Ceará vem tendo esse protagonismo desde 2020, com parcerias fortes e importantes, para firmar o Estado como a casa do H2V”.

EVENTO

O Fiec Summit conta com 1.587 inscritos, de 20 países diferentes. Além disso, o Fiec Summit irá promover um concurso de trabalhos acadêmicos e projetos de pesquisa.

Fonte: O Povo

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