Em meio a juros baixos, número de cearenses na Bolsa avança 79,4% no ano

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Quantidade de investidores pessoa física do Estado no mercado de ações saltou de 30,1 mil no início do ano para 54 mil ao fim de julho. Ritmo de cadastro na B3 superou a média nacional, que cresceu 68,2% no mesmo período

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Legenda: Investidores cearenses buscam rendimentos mais altos no mercado de ações.
Foto: Thiago Gadelha

Nesse período, o número de brasileiros cadastrados na Bolsa cresceu 68,2%, chegando a 2,8 milhões. Os investimentos dos cearenses em ações somavam R$ 3,76 bilhões, alta de 35,2% no ano.

Para Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-CE), entre os fatores que podem estar contribuindo para o Ceará apresentar uma evolução acima da média nacional estão a chegada de grandes escritórios de investimentos no Estado e o aumento da presença de empresas cearenses no mercado de capitais. Ele destaca, no entanto, que esse movimento vem sendo impulsionado pela queda da taxa básica de juros (Selic), à qual são atrelados os rendimentos de aplicações em renda fixa.

“O Ceará é um Estado onde sempre há muita divulgação do mercado de capitais, temos também muitas pessoas de renda mais elevada que estão se desiludindo com a renda fixa e direcionando recursos para a renda variável. Isso é fruto de um conjunto de fatores. O que nós vemos é que a cada dia temos novas pessoas entrando no mercado de renda variável, tentando aprender mais sobre o mercado financeiro”, diz Coimbra.

Desde julho de 2019, quando estava em 6,5% ao ano, a Selic sofreu sucessivos cortes até chegar ao menor patamar histórico, de 2% ao ano, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 5 de agosto. “A Selic em patamar baixo deixa a renda fixa menos interessante, gerando uma nova perspectiva para os produtos vinculados à Bolsa”, aponta.

Novas empresas

Para Lauro Chaves, membro do Conselho Federal de Economia e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), a atração de pequenos investidores tem sido importante para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro, mas é preciso também que ele seja acessível a pequenos negócios. “Precisamos baratear e simplificar a entrada de pequenas e médias empresas. Quando isso ocorrer, aí sim, nós vamos ter mudado de patamar. Nos Estados Unidos, por exemplo, todo mundo abre capital”, diz. Enquanto a Bolsa brasileira (B3) tem cerca de 375 empresas listadas, a Bolsa de Nova York (NYSE) tem mais de 2,7 mil e a Nasdaq (de empresas de tecnologia) mais de 2,8 mil.

Pague Menos

No dia 2 de setembro, mais uma empresa cearense deverá ter ações negociadas na Bolsa. A previsão é que, a partir dessa data, a rede de farmácias Pague Menos passe a fazer parte do grupo de empresas cearenses com capital aberto, hoje formado por M. Dias Branco, Hapvida e Arco Educação. A data da oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) será confirmada no dia 1º de setembro. O período de reserva da oferta pública de ações, iniciado no último dia 12, segue até 27 de agosto.

Segundo comunicado, o preço por ação ordinária de emissão da companhia será entre R$ 10,22 e R$ 12,54. As ações serão negociadas com o código “PGMN3”. A oferta é primária, quando são emitidas novas ações que serão ofertadas ao mercado. Com o dinheiro captado, a companhia pretende abrir novas lojas, reduzir a dívida e normalizar o capital de giro.

Mudança de regras

A partir de 1º de setembro, os mais de 54 mil investidores cearenses, dentre 2,8 milhões brasileiros cadastrados na Bolsa de Valores, terão mais opções para investir em empresas e títulos no exterior.

Diante da crescente demanda por diversificação de portfólios de aplicações e da queda da rentabilidade das tradicionais aplicações em renda fixa, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) flexibilizou regras sobre emissão de Brazilian Depositary Receipts (BDRs), instrumento pelo qual o investidor nacional pode negociar ativos correspondentes a ações estrangeiras.

“Essa é mais uma movimentação de expansão do mercado que beneficia o investidor pessoa física. E a possibilidade dessas BDRs poderem ser negociadas no mercado brasileiro facilita muito para o pequeno investidor que está descobrindo novas operações no mercado de capitais no exterior”, explica o economista Ricardo Eleutério.

“Com essa medida, além das ações estrangeiras também serão disponibilizados no mercado brasileiro os ETFs (Exchange Traded Funds), fundos que replicam o desempenho de índices e que são negociados em Bolsa como uma ação, e títulos de dívidas no exterior, o que é bastante interessante”, destaca.

Com a flexibilização, qualquer investidor pessoa física poderá investir também nas empresas brasileiras que abriram capital no exterior, como a cearense Arco Educação, e de companhias como XP Investimentos, PagSeguro e Stone. Até então, os investimentos em empresas estrangeiras, por meio das BDRs estavam restritos a investidores qualificados, com pelo menos R$ 1 milhão em aplicações.

Além disso, o investidor brasileiro poderá participar diretamente de IPOs de empresas nacionais no exterior, por meio dos BDRs. A expectativa é que essas medidas facilitem e tornem mais barata a oferta de fundos de investimentos que espelham a rentabilidade de ativos ou índices negociados no exterior.

Diário do Nordeste

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