O movimento em Fortaleza aconteceu em frente a Assembleia Legislativa do Ceará; professores pedem reajuste de 14,95%,
Durante a manhã de ontem, 22, diversos professores da rede estadual se reuniram em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, em Fortaleza, para reivindicar o reajuste de 14,95% do piso do magistério. Os educadores estão solicitando o pagamento retroativo referente a janeiro repercutindo na carreira. Além disso, pautas como a valorização da categoria, a convocação de todos do cadastro de reserva e o fim da taxação dos aposentados também foram destacadas durante as manifestações.
Os atos foram registrados em diferentes cidades do Ceará e fazem parte de um movimento nacional pela valorização dos profissionais da educação. Previamente, através das redes sociais, o sindicato da categoria, a APEOC, havia divulgado que pelo menos 200 escolas cearenses teriam atividades paralisadas na quarta-feira em municípios como Baturité, Icó, Russas, Itapipoca, Sobral, Quixadá, Brejo Santo, Crato, Tauá, Camocim e outros.
De acordo com as informações divulgadas pelos representantes da categoria, o Governo do Estado, apesar de já ter afirmado que cumprirá a lei do piso, ainda não deu indícios sobre o retroativo relacionado à carreira. “Nada nunca foi fácil e, por isso, nós estamos fazendo essa manifestação. É um movimento que ocorre no Brasil todo, mas aqui ganha relevância já que o Governo não está cumprindo o piso”, disse o vice-presidente da APEOC, Reginaldo Pinheiro.
O presidente do sindicato, Professor Anízio, articulou com parlamentares para que uma comissão composta por dirigentes, representantes do CR e dos funcionários da Educação, fosse recebida pela liderança do Governo e parlamentares da situação e oposição. Nesse sentido, estiveram presentes Romeu Aldigueri (PDT), Guilherme Sampaio (PT), Larissa Gaspar (PDT), Queiroz Filho (PDT), Renato Roseno (PSOL), Alison Aguiar (PCdoB), Cláudio Pinho (PDT), Deassis (PT), Missias Dias (PT) e a vereadora Adriana Almeida.
“Entendemos que foi muito importante nossa a mobilização no interior e na capital […] deixamos claro que precisamos de uma resposta concreta do governo e uma data para que todo o processo seja finalizado”, declarou o Professor Anízio. Após o encontro, ficou determinado que, no dia 4 ou 5 de abril, o Governo apresentará posição sobre o piso em uma mesa geral de negociações. Além disso, no próximo dia 26, a educação cearense deve parar novamente em uma greve nacional organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) informou, em nota, que o cumprimento do piso dos professores faz parte do compromisso do Governo do Ceará com a categoria. As tratativas para a implantação, como repercussão na carreira, seguem em andamento com reuniões da mesa de negociação formada por representantes das Secretarias da Educação, da Fazenda e de Planejamento e do Sindicato Apeoc. “A Seduc informa que, nas unidades em que podem estar ocorrendo paralisações das aulas devido ao movimento dos professores, não haverá prejuízos para a aprendizagem dos alunos. Os 200 dias letivos serão cumpridos”.
É importante destacar que, no último dia 16, o governador Elmano de Freitas garantiu publicamente que o piso anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) será pago. “Nas próximas semanas nós vamos anunciar, porque queremos anunciar junto com o reajuste dos demais servidores”, disse Freitas. Com o reajuste, o piso dos professores ficou fixado em R$ 4.420,55.
Paralisações
Esta não é a primeira vez em 2023 que problemas com o reajuste anunciado pelo MEC geram grandes movimentos no Ceará. Em janeiro deste ano, o início do ano letivo da rede municipal de Fortaleza foi afetado pela paralisação dos professores que também reivindicavam o pagamento do piso salarial. O movimento durou aproximadamente dez dias e terminou após o prefeito José Sarto apresentar uma proposta que garantiria o pagamento dos 14,95%, porém, de forma parcelada, sendo 5,79% em janeiro e mais 9,16% em setembro, neste último caso sem efeito retroativo.










