Editorial: O valor do voto

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As eleições se aproximam e os ânimos se acirram. É comum, nos grupos onde transitamos – principalmente nas redes sociais, o debate sobre a melhor proposta de governo para o País. No entanto, para votarmos de modo consciente, é necessário refrescarmos a memória sobre como nossos candidatos votaram, na legislatura que está chegando ao fim, em matérias de interesse dos trabalhadores. Além disso, é preciso se informar sobre as propostas apresentadas para os principais temas de interesse da sociedade, a exemplo dos modelos de saúde, educação, tributação e segurança, além do fortalecimento da previdência pública.


 


Se você considera os temas “educação” e “saúde” como prioritários, é fundamental saber se o seu candidato votou contra a chamada PEC do “Fim do Mundo” (a PEC 241, que se tornou a Emenda Constitucional 95). A referida PEC, ao ser aprovada, congelou os investimentos nessas áreas por 20 anos. Esse congelamento vem ocasionando diversas mazelas País afora. Dessa forma, aqueles que votaram contra essa PEC demonstram que se importam com temas relacionados ao investimento em educação e saúde. Na internet, é fácil acessar as listas de deputados e senadores que votaram a favor da PEC 241, além do posicionamento dos partidos (confira como votaram os deputados em https://glo.bo/2xxC7qi e como votaram os senadores em http://bit.ly/2xnvszT).


 


O respeito aos direitos dos trabalhadores é outro importante indicativo. Nesse sentido, é fundamental saber como o seu candidato votou na reforma trabalhista (Lei nº 13467/17), a qual piorou consideravelmente as condições de trabalho e as garantias dos trabalhadores. As consequências das alterações na CLT vão desde o aumento da informalidade no mundo do trabalho até a flexibilização de direitos básicos, como a prevalência do negociado sobre o legislado em uma relação desigual ou a continuidade das atividades da trabalhadora grávida, mesmo em trabalhos insalubres. Uma forma de escolher quem respeita o direito dos trabalhadores e trabalhadoras é votar em quem disse “não” a essa reforma trabalhista ou se posiciona contrariamente a ela. Veja como votaram os deputados em http://bit.ly/2xtNwHy e como votaram os senadores em https://glo.bo/2PO4vvP.


 


O voto do trabalhador tem força. É fácil avaliar, nos últimos dois anos, os estragos ocasionados pelo projeto neoliberal do governo Temer: forte ajuste fiscal, focado excessivamente no corte dos gastos públicos, sem se preocupar com a eficiência; aprofundamento da recessão; privatizações e inúmeros ataques aos direitos dos trabalhadores, inclusive à previdência pública. Cabe ao trabalhador considerar, com maior abertura, os projetos progressistas, que colocam o acento fundamental na expansão dos mercados internos de consumo popular, na extensão e fortalecimento das políticas que garantem os direitos sociais da população, que elevam continuamente o poder aquisitivo dos salários e os empregos formais, ao invés da ênfase nos ajustes fiscais. Além disso, as forças progressistas se caracterizam pelo resgate do papel do Estado como indutor do crescimento econômico, deslocando as políticas de Estado mínimo e de centralidade do mercado, e como garantia dos direitos sociais da população.