O Presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que pretende fazer investimentos governamentais para induzir a diversificação da economia. “Nós vamos colocar recursos para alavancar um novo modelo de desenvolvimento nesse país que leve em conta a criatividade do ser humano”, disse ao discursar em um evento que reuniu representantes de cooperativas de todo o país na capital paulista.
Segundo Lula, é preciso apoiar atividades e formas de organização que sejam capazes de oferecer oportunidades de trabalho para a população. “Nós temos que acreditar em outras formas de organização. E o Estado tem que estar pronto para criar as condições para que essas coisas deem certo, se não, a gente não vai gerar emprego para ocupar essa imensa maioria de jovens que se formam, que estudam e querem entrar no mercado de trabalho e não têm oportunidade”.
Essa nova posição do Estado é necessária, na visão do candidato, em um cenário em que as rápidas mudanças tecnológicas estão acabando com vários postos de trabalho em atividades econômicas tradicionais. “Os avanços tecnológicos não criam mais empregos para a gente. Eles geram mais produtividade, mais riqueza, capacidade produtiva, mais condições de ganhar dinheiro e acumular na mão de uma pessoa só, diminuindo o número de pessoas que fazem os trabalhos manuais”, disse.
Nesse contexto, Lula acredita que, sem a intervenção do governo, não será possível criar alternativas que absorvam essa mão de obra. “O Estado vai ter que ter um novo papel. Nós vamos ter que discutir qual é o papel do Estado para garantir emprego”.
Trabalho que, de acordo com Lula, deve permitir que as famílias tenham qualidade de vida. “Nós precisamos discutir como é que nós vamos criar trabalho para o povo brasileiro. Como nós vamos criar trabalho para as mulheres e para os homens que querem estudar, trabalhar e ter certeza que vão construir famílias, vão ter casa para morar e viver uma vida digna”.
Lula ressaltou que o papel do Estado é de dar condições para o sucesso das empreitadas feitas a partir da criatividade e organização da sociedade. “Uma cooperativa só pode dar certo se for resultado da consciência das pessoas que querem criar a cooperativa”, exemplificou. Em seguida, ressaltou como o governo, na sua opinião, deve atuar: “O papel do Estado é de, no início, alavancar, com recursos financeiros, o primeiro dia a dia dessa gente, para que eles comecem a produzir de verdade, comecem a vender e comecem a fazer a economia da cooperativa crescer”.
Lula também disse que pretende recriar o Ministério do Desenvolvimento Agrário, assim como as pastas da Cultura, Micro Pequena Empresa e Segurança Pública.
Na Carta para o Brasil do Amanhã, o presidente eleito falou de outros pontos sensíveis da economia. Veja abaixo os principais pontos da carta:
Desenvolvimento econômico
Nossa primeira iniciativa será definir com os governadores dos 27 estados um planejamento para retomar obras paradas e definir obras prioritárias. Vamos buscar financiamento e a cooperação – nacional e internacional – para o investimento público e privado, para dinamizar e expandir o mercado interno de consumo, desenvolver o comércio, serviços, agricultura de alimentos e indústria. Vamos investir em serviços públicos e sociais, em infraestrutura econômica e em recursos naturais estratégicos.
Além disso, enfrentaremos o desemprego e a precarização do mundo do trabalho, com um amplo debate tripartite (governo, empresários e trabalhadores), para construir uma Nova Legislação Trabalhista que assegure direitos mínimos – tanto trabalhistas como previdenciários – e salários dignos, assegurando a competitividade e os investimentos das empresas.
Vamos também criar o Empreende Brasil, com crédito a juros baixos para os batalhadores das micro, pequenas e médias empresas. Nosso Brasil será o país da inovação
Trabalho e renda
Nosso maior compromisso é construir um Brasil mais igualitário, sem fome, sem pobreza, com bons empregos e salários, priorizando as pessoas que mais precisam. Para isso propomos: um Salário-Mínimo Forte, com crescimento todo ano acima da inflação; um Novo Bolsa Família, que garantirá R$ 600,00 como valor permanente mais R$ 150,00 para cada criança de até 6 anos de idade; o programa Desenrola Brasil, para renegociar as dívidas de milhões famílias que estão inadimplentes, oferecendo grandes descontos e juros baixos; Imposto de Renda Zero para quem ganha até R$ 5 mil, que será acompanhado de uma reforma tributária; além da Igualdade Salarial para Homens e Mulheres que exerçam a mesma função.
Reindustrialização
Vamos construir uma estratégia nacional para avançar em direção à economia do conhecimento. O Brasil não precisa depender da importação de respiradores, fertilizantes nem diesel e gasolina. Não precisa depender da importação de microprocessadores, satélites, aeronaves e plataformas.
Nosso país tem potenciais que devem ser impulsionados nas indústrias de software, defesa, telecomunicações e outros setores de novas tecnologias.
Nosso país tem vantagens competitivas que devem ser ativadas, especialmente nos complexos econômico-industriais da saúde, do agronegócio e do petróleo e gás.
Vamos iniciar a transição digital e trazer a indústria brasileira para o século XXI, com uma política industrial que apoia a inovação, estimula a cooperação público-privada, fortalece a ciência e a tecnologia e garante acesso a financiamentos com custos adequados. Os segmentos das micro, pequenas e médias empresas, bem como das startups, receberão atenção especial. O futuro pertence a quem implantar a sociedade do conhecimento.
PRINCIPAIS PROPOSTAS NA ECONOMIA
• Renovar e ampliar o programa Saúde da Família “para garantir renda compatível com as atuais necessidades da população”. O auxílio será mantido em R$ 600, com adicional de R$ 150 por criança de até seis anos.
• Revogar o teto de gastos e criar um novo regime fiscal “que reconheça a importância do investimento social, vinculado à criação de uma estrutura tributária mais simples e progressista”
• Retomar a política de valorização do salário mínimo, com regra de reajuste que garanta a reposição inflacionária acrescida da variação do PIB.
• Criar uma nova legislação trabalhista de extensa projeção social a todas as formas de ocupação, de emprego e de relação de trabalho, com atenção aos autônomos, trabalhadores por conta própria, doméstica e trabalhadores de aplicativos.
• Retomar investimentos em infraestrutura e habitação.
• Propor uma reforma tributária com simplificação dos tributos e redução da cobrança sobre o consumo, para que os pobres paguem menos e os ricos paguem mais, com tributação de lucros e dividendos.
• Isenção do Imposto de Renda para os trabalhadores que ganham até R$ 5.000







