Dia da Consciência Negra: Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista

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“Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista”. A conhecida frase da filósofa Angela Davis é incisiva e provoca reflexão sobre o combate ao racismo estrutural no Brasil, um debate que ganha força com o Dia da Consciência Negra.

Celebrada em 20 de novembro, a data faz alusão à morte de Zumbi dos Palmares, assassinado neste dia, em 1695. Líder do Quilombo dos Palmares, a figura de Zumbi tornou-se um símbolo da resistência dos negros escravizados contra o sistema escravista da época.

Em tempos de intolerância e discriminação, o Dia da Consciência Negra reacende o debate sobre as desigualdades que persistem como herança dos 350 anos de escravidão no Brasil contra um povo que hoje representa a maioria da população do país.

Apesar de se manterem firmes na luta por direitos, as pessoas negras ainda são as maiores vítimas de violência, a maior parte dos presos, a menor representatividade nas artes e a maior parcela atingida pela crise e pelo desemprego na sociedade brasileira.

Um estudo de 2019 do IBGE apontou que pretos ou pardos somavam 64,2% da população desocupada e 66,1% da população subutilizada; tinham rendimento médio de metade do que recebem os brancos; e quase o triplo de chances de serem vítimas de homicídio intencional do que uma pessoa branca.

Os números escancaram uma realidade cruel, evidenciando as implicações do racismo na atualidade e as feridas da opressão que se materializam em forma de violência e se refletem em um abismo racial e social.

Por isso, para além de uma data festiva, o Dia da Consciência Negra busca lembrar a resistência do povo negro para avançar na luta por uma sociedade livre de opressões, onde as pessoas negras ocupem espaços de poder e a educação seja transformadora, para que as pautas antirracistas sejam levadas à sociedade e retornem em forma de mudança.

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