Desertificação avança na Caatinga por causa de mudanças climáticas

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Nos últimos 35 anos, o bioma, que só existe no Brasil, perdeu 40% da área de rios e lagoas, segundo levantamento da Mapbiomas. Para minimizar efeitos, a ciência e o povo sertanejo estão se unindo em busca de soluções.

A desertificação tem avançado na Caatinga por causa de mudanças climáticas que estão ocorrendo no mundo todo.

Nos últimos 35 anos, o bioma, que só existe no Brasil, já perdeu 40% da área de rios e lagoas e 10% da vegetação nativa, segundo um levantamento da rede Mapbiomas.

Em Pernambuco, por exemplo, 123 dos 184 municípios estão correndo o risco de desertificação, segundo um estudo do qual participou o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Iêdo Bezerra Sá.

Para minimizar os efeitos da seca, a ciência e o povo sertanejo estão se unindo em busca de soluções (saiba mais abaixo).

Caatinga e desertificação

A caatinga ocupa um décimo do território nacional, quase todo no Nordeste. O seu nome vem do Tupi e significa “Mata Branca”, que é a aparência da vegetação durante a seca.

É o pedaço mais quente e seco do país. E também um dos mais vulneráveis às mudanças climáticas.

Nos últimos 50 anos, houve um aumento de até 5% nas temperaturas máximas de algumas regiões do Nordeste, o que tem provocado picos de calor que passam dos 40 graus.

Além do clima, o bioma sofre os efeitos de um conjunto de agressões provocadas pelo homem. Começa com o desmatamento e as queimadas. Piora com a criação desordenada de animais e o cultivo com técnicas erradas.

Tudo isso gera degradação do solo, que fica exposto a secas cada vez mais longas, o que agrava o processo que transforma terras férteis em improdutivas.

“Quando a gente se depara com áreas devastadas, desflorestadas, o que acontece é que a gente perde a capacidade de reter água no solo e de bombear a água do solo para a atmosfera, para que isso ser transformado em nuvens de chuva”, explica Francis Lacerda, pesquisadora e climatologista do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA).

Feijão resistente à seca

Para minimizar os efeitos das mudanças climáticas, soluções para a adaptação do homem ao campo vão surgindo no sertão, unindo a ciência e a sabedoria do povo sertanejo.

No município de Petrolina, em Pernambuco, por exemplo, pesquisadores da Embrapa Semiárido estudam seis variedades do feijão-caupi, também conhecido como feijão-de-corda, para avaliar a resistência à seca.

Os tipos do feijão são cultivados em duas câmaras de crescimento e submetidos a diferentes temperaturas.

Quatro variedades do feijão-caupi que apresentaram maior resistência nas câmaras já foram para o campo, plantadas em duas épocas diferentes do ano. E, com o tempo, a melhor deve se destacar.

“O feijão-caupi é um cultivo de grande importância socioeconômica para o semiárido. Nós temos essa preocupação com a segurança alimentar, com o que vai estar disponível para a nossa população frente a esses cenários futuros”, diz a pesquisadora Francislene Angelotti.

Preservação da vegetação nativa

Já em Itapetim (PE), um grupo de 19 mulheres, chamado Pajeú, replanta árvores nativas junto às nascentes do lugar onde vivem, desde 2012. Elas recebem o apoio da ONG Centro Sabiá.

Elas produzem as mudas e acompanham o crescimento das plantas, um esforço que já rendeu 10 mil árvores.

“Se a gente não recuperar, futuramente não vai ter. Vai estar escasso. As pessoas das novas gerações não vão conhecer as espécies nativas”, diz a agricultora Valéria Pereira.
“Esse trabalho vai contribuir enormemente para que a gente amplie a resiliência dos povos do semiárido para o enfrentamento das mudanças climáticas”, diz agrônoma Rivaneide Almeida.

Fonte: Globo Rural

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