Crise internacional abre brecha para queda de até 12% no preço da gasolina

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|APÓS PICO| Risco de recessão na Europa e nos Estados Unidos tem derrubado cotação global do preço do petróleo, que deve terminar o ano abaixo dos 90 dólares e impactar no valor dos combustíveis

Após atingir cotação máxima de US$ 127,98 no dia 8 de março, logo nos primeiros 12 dias de guerra entre Rússia e Ucrânia, o preço do barril de petróleo brent no mercado internacional atingiu patamares abaixo dos US$ 90, na semana passada, pela primeira vez desde o dia 2 de fevereiro (antes do início do conflito).
O movimento consistente de queda no valor do produto, verificado desde julho e decorrente dos temores de recessão na Europa e nos Estados Unidos, tem acentuado a redução no preço dos combustíveis aqui no Brasil. Para se ter uma ideia, somente neste período, a Petrobras reajustou para baixo em quatro ocasiões o valor da gasolina nas refinarias. A última delas ocorreu no dia 1º de setembro, quando o litro do insumo passou de R$ 3,53 para R$ 3,28. As projeções dos especialistas apontam para novas reduções nas próximas semanas, que variam de 9% a 12%.

Nas bombas dos postos de combustíveis em Fortaleza, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), por exemplo, o preço médio da gasolina caiu de R$ 5,24 para R$ 5,13, após o último reajuste, mas essa redução pode ter sido ainda maior, já que a agência adiou a divulgação do novo levantamento de preços de sábado, 10, para hoje.

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De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustível (Abicom) o preço da gasolina comercializada no Brasil está 12% mais caro em relação ao mercado internacional, o que, em tese, permitiria uma redução na mesma proporção.

Para o consultor em petróleo e energia, Bruno Iughetti, contudo, novos reajustes para baixo no valor do litro da gasolina vendida pela Petrobras nas refinarias devem se limitar a 9%. “Eu vejo o Brasil numa situação muito positiva, daqui até o fim do ano com relação ao petróleo e seus derivados, trazendo benefícios ao consumidor final”, projeta Iughetti.

O especialista avalia, porém, que a cotação do preço internacional do barril do petróleo deve se estabilizar entre US$ 85 e US$ 90. Vale lembrar que há um ano, o valor do produto era de US$ 71,45. “É impraticável, hoje, pensarmos no preço do barril abaixo de US$ 80, por conta não só dos efeitos do mercado mas da própria guerra”, explica.

Ele acrescenta que a razão para essa redução de 25% na cotação da commodity nos últimos 3 meses decorre “dos efeitos da recessão na Europa e nos Estados Unidos. Há uma demanda refreada em relação à oferta. Com isso, o petróleo tem apresentado essas quedas de preço, que vem ajudar a fixação de preços dos derivados no Brasil”.

Outro efeito colateral do movimento de queda no preço do petróleo após os picos registrados em março e em junho, são a perspectiva da primeira deflação trimestral no País desde 1998 e a projeção de uma inflação menor em 2022, na comparação com 2021, quando ela ficou em 10,06%.

Após dois meses seguidos de deflação (julho e agosto), fortemente puxada pela queda nos preços de combustíveis e de energia, mesmo uma alta de 0,18% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), resultaria numa deflação trimestral de 0,86%.

Tal patamar seria o maior desde o 3º trimestre de 1998, quando o IPCA ficou em -0,85%, e também o maior desde a criação do Plano Real. Além disso, a chance de uma nova deflação em setembro já aparece nas estimativas do mercado, que variam de -0,1% a -0,2%.

Por outro lado, embora analistas de mercado projetem uma inflação entre 5,9% e 6,7%, a alta média dos preços em 2022 deve ficar acima do teto da meta estabelecido pelo Banco Central, que é de 5%, pelo segundo ano consecutivo.

ICMS

Também tem contribuído para a queda no preço da gasolina ao consumidor a redução do ICMS que incide sobre o produto. No Ceará, desde julho, o tributo, que chegava a 29%, passou a ser de até 20%

Fonte: O Povo

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