Cesta Básica de Fortaleza custa quase metade do salário mínimo

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No mês de maio, a Cesta Básica de Fortaleza continuou sendo a mais cara do Nordeste. De acordo com levantamento mensal divulgado na última segunda-feira (7), pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cesta do fortalezense apresentou uma inflação de 1,32% no valor do conjunto de 12 produtos que a compõem. Ao total, o preço estimado ficou em R$532,21, quase metade do salário mínimo decretado pelo Governo Federal, que é de R$1.100. A capital cearense fica à frente de cidades como Natal e João Pessoa, onde apresentaram valor estipulado de R$501,70 e R$491,63, respectivamente.

FOTO REPRODUÇÃO / INTERNET

Na média calculada pela consulta, um morador de Fortaleza que tem uma rotina de serviço fixa em 220 horas mensais, tem que trabalhar pelo menos 106h e 26 minutos para arcar com as despesas alimentícias. Ainda de acordo com a pesquisa, o gasto padrão com alimentação de uma família composta por 2 adultos e 2 crianças fica em torno de R$1.605,63 e o salário mínimo estipulado para suprir todos os custos seria de R$5.351,11.

Por conta dos constantes aumentos nos valores dos alimentos, a cesta básica completa vem se tornando um item de difícil acesso para os mais pobres. Sobre isso, o supervisor técnico do Dieese, Reginaldo Aguiar, afirma que as elevações nos produtos causam uma redução na renda dos trabalhadores, já que boa parte do salário vai para custear os gastos com alimentação. Ele ainda relata que é visto um movimento de diminuição nas refeições diárias e está ocorrendo a troca por alimentos de baixo teor alimentar para suprir as despesas.

Diminuição
No último mês, nove itens do total de 12 apresentaram elevação, o que mais se destacou foi o tomate, com variação entre os meses de maio e abril deste ano, de 5,57% no seu valor. O produto foi seguido pelo açúcar e o café que tiveram crescimento 4,78% e 4,52%, nesta ordem. Em contraponto, a banana, o arroz e o feijão foram os únicos que tiveram diminuição, havendo queda no preço passado para o consumidor de 4,02%, 0,99% e 0,11%, respectivamente.
Devido a esse aumento muitos compradores estão trocando os produtos mais caros da cesta pelos mais baratos. Aguiar comenta que “a elevação demasiada dos preços não se justifica” e continua sua fala afirmando que “o que acaba sendo possível para as famílias é substituir por produtos de qualidade mais ruim, tipo ovo ou pé de galinha”.

A carne vem se tornando um dos itens mais escassos na mesa do fortalezense, pela alta nos seus preços fica quase inviável levá-lo para a casa. No levantamento sobre o mês de maio notou-se um acréscimo no preço de 2,39%. O supervisor finaliza dizendo que a escolha por carnes de “terceira” vem se tornando mais comum nas compras.

Cotidiano
O dia a dia dos moradores da Capital vem sendo impactados pela alta nos valores dos alimentos, dificultando a compra de diversos produtos que são essenciais para a alimentação. Acerca disso, a dona de casa Paula Cavalcante relata que sentiu o aumento nos preços da carne, feijão e óleo. Ela também pontua que a cada ida ao supermercado percebe que os gastos continuam crescendo.

“O salário que meu marido ganha não está dando mais para a gente comprar uma cesta básica, porque a carestia está demais”, exclama a dona de casa. Paula completa dizendo que o dinheiro gasto não está dando para custear o básico da alimentação e acaba voltando para casa sem todos os produtos necessários para uma boa refeição.

Fonte: O Estado CE

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