Ceará reduz perdas econômicas causadas pela Covid-19

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| PRÉVIA DO PIB | O crescimento foi de 6,71% em julho ante maio deste ano, segundo o Índice de Atividade Econômica Regional (IBC-R)

Com crescimento de 6,71% em junho ante maio deste ano, a economia cearense amenizou o prejuízo causado pela crise do novo coronavírus. Apesar do respiro, a situação ainda é crítica na comparação com o trimestre anterior, registrando baixa de 9,7%, segundo o Índice de Atividade Econômica Regional (IBC-R), divulgado ontem pelo Banco Central (BC).

Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no País – , o indicador mostra que, no mesmo mês de 2019, houve também declínio de 4,44%. No acumulado do ano e últimos 12 meses, o recuo foi de 4,86% e 1,32%, respectivamente.

O diretor Geral do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), João Mário de França, avalia que o resultado aponta para uma recuperação econômica, apesar das restrições sanitárias impostas para conter casos de contaminação da Covid-19, que afetaram o setor de serviços, entre outros.

“A tendência é que o desempenho do PIB do Ceará, no segundo semestre de 2020, seja bem melhor do que o primeiro, reduzindo, em parte, os fortes impactos negativos causadas pela pandemia, principalmente ocorridos nos meses de abril e maio deste ano”, analisa.

Mário acrescenta que a última previsão para o PIB local foi de uma queda de 4,92%, incorporando os efeitos da crise, mas o número ainda será revisto em setembro. “A questão principal é quanto ao desempenho da economia cearense para o segundo semestre de 2020, a partir do plano de retomada gradual e responsável das atividades econômicas no Ceará, iniciado em junho último e que até agora vem avançando de maneira consistente e sem retrocessos”, destaca.

O conselheiro regional de economia e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor), Ricardo Eleutério, reitera que a reabertura dos setores influenciou e acredita em um retomada superior à nacional.

“A queda no Ceará deverá ser bem menor que a do Brasil. O Estado tem investimentos e equilíbrios fiscal, cenário que ajuda a impulsionar novos investimentos. O planejamento de um retorno gradual e responsável também é um fator importante”, diz.Para Eleutério, os dados sinalizam uma curva em V. No jargão econômico, significa uma recuperação rápida após forte tombo, voltando ao patamar anterior à crise.Já o economista Alcântara Macedo pondera que o resultado é significativo mostra uma redução dos efeitos, mas o cenário ainda é incerto. “O PIB que cresceu já está no fundo do poço. Claro, qualquer avanço deve ser comemorado, pois mantém os empregos, mas a situação ainda é crítica”, afirma.

A previsão do mercado financeiro para a queda da economia brasileira este ano foi ajustada de 5,62% para 5,52%. Para o próximo ano, a expectativa é de crescimento de 3,50%. Em 2022 e 2023, a projeção é de expansão de 2,50%.

Governo Federal gastou 54,3% dos recursos previstos com pandemia

Os gastos em créditos extraordinários para financiar o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus somaram R$ 277,85 bilhões, o equivalente a 54,3% dos R$ 511,27 bilhões autorizados pelo Orçamento de Guerra. O levantamento, que registra as despesas executadas até o último dia 11, foi divulgado ontem pela Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão consultivo do Senado.

A maior parte dos recursos destinou-se ao pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 (R$ 1,2 mil para mães solteiras). O pagamento do benefício somou R$ 167,66 bilhões, o equivalente a 65,9% da verba de R$ 254,24 bilhões. Amanhã (18), a Caixa Econômica Federal começa a pagar a quinta e última parcela para os beneficiários do Bolsa Família.

Com desembolso de R$ 30,1 bilhões, a ajuda financeira para estados e municípios está em segundo lugar. Das quatro parcelas previstas para o auxílio, duas foram desembolsadas, com a execução do programa em 50%.

Os gastos em ações de saúde para o enfrentamento à pandemia vêm em terceiro lugar, com R$ 23,68 bilhões executados. O montante equivale a pouco mais da metade (50,6%) do orçamento aprovado de R$ 46,78 bilhões.

Em quarto lugar, está o Benefício Emergencial (BEm), pago a trabalhadores formais que tiveram contrato suspenso ou jornada reduzida com diminuição proporcional dos salários. O governo desembolsou R$ 20,09 bilhões, o equivalente a 38,9% da verba de R$ 51,64 bilhões. Em seguida, vem o aporte de R$ 15,9 bilhões do Tesouro Nacional no Fundo Garantidor de Operações (FGO), que cobre eventuais calotes no Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), com 100% de execução. O fundo é considerado ferramenta essencial para destravar a ajuda para micros e pequenas empresas porque retira dos bancos a obrigação de exigir do microempresário garantias como imóveis e carros na hora de conceder os empréstimos.

Lançado no início de abril, o outro programa federal de ajuda às empresas não decolou. O programa de financiamento da folha de pagamento das empresas teve execução de apenas R$ 3,91 bilhões (11,5%) de um total de R$ 34 bilhões. O programa empresta para financiar o pagamento dos salários com o compromisso de manutenção do emprego.

A IFI divulgou dados sobre o impacto da pandemia nas finanças públicas. No primeiro semestre, a perda de receita líquida da União decorrente da crise econômica somou 2,5% do PIB. A despesa primária total cresceu 40,3%, acima da inflação, no período. (AE)

Fonte https://mais.opovo.com.br/jornal/economia/2020/08/18/ceara-reduz-perdas-economicas-causadas-pela-covid-19.html

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