Campanha Servidor Solidário distribui solidariedade em forma de cestas básicas

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A campanha Servidor Solidário no Natal, coordenada pela Fundação Sintaf, encerrou o período de arrecadação de cestas básicas no último dia 22 de dezembro, quando iniciou a distribuição dos alimentos na capital e no interior do Estado. Em um mês, foram arrecadados R$ 22 mil, o que possibilitou a distribuição de mais de 400 cestas básicas entre as entidades selecionadas pela coordenação da Campanha, que teve o apoio do Sintaf.

Em Fortaleza, foram seis as entidades beneficiadas: Obra Lumen, Associação Anjo Rafael, Casa Lar Batista, APAECE, Nossa Casa e Casa de Apoio Sol Nascente. A coordenadora da campanha e diretora geral da Fundação Sintaf, Yvelise Sales, visitou duas delas para conhecer mais de perto e divulgar o trabalho desenvolvido.

Associação Anjo Rafael

Na Associação Anjo Rafael, Yvelise Sales foi recebida pelo casal Fernando e Rosane Dantas, gestores da entidade. Eles relataram que em junho de 2017 o seu filho único, Rafael, então com nove anos de idade, sofreu um acidente brincando na quadra do colégio e veio a falecer. “Na semana do acidente, ele havia feito duas redações que diziam que o amor ao próximo pode mudar o mundo. Assim que ele partiu, pensamos em nos dedicar à construção de uma creche para crianças. Mas ao circular pela grande periferia de Fortaleza, percebemos que 100% das creches enfrentam grande dificuldade e vivem com o pires na mão”, explica Fernando Dantas. “Numa delas, que atendia a 18 crianças, a Enel havia acabado de cortar a energia elétrica quando chegamos. Naquele momento nós acionamos os amigos e conseguimos pagar as três contas atrasadas, e a Enel restabeleceu a energia. Aquela foi a nossa primeira ação”, conta.

Fernando e Rosana entenderam que, se criassem uma nova creche, enfrentariam as mesmas dificuldades. “Há muita gente que ajuda, mas é a minoria. Resolvemos criar uma estratégia diferente: seremos a associação que vai ajudar todas as entidades que conseguirmos alcançar. Então lançamos projetos cuja base são as crianças. Mas acabamos assistindo às famílias também”, destacam.

A fome da população mais pobre, que aumentou nesse período de pandemia, é uma das principais preocupações da Associação. “Nós atuamos primeiro no combate à fome, mas além de levar o alimento nós buscamos identificar na comunidade as pessoas que queiram desenvolver alguma potencialidade para saírem daquela situação”, ressalta Fernando.

No período de lockdown, a Associação Anjo Rafael arrecadou e distribuiu 5.100 cestas básicas. Também foram entregues 130 mil quentinhas à população de rua, em 76 dias. “Nós ainda não paramos, porque a pandemia não acabou”, enfatizam.

Para a coordenadora da campanha Servidor Solidário, Yvelise Sales, o trabalho de resgatar a dignidade das pessoas é um ponto crucial. “Não adianta apenas combater as consequências do problema – no caso, a fome; é preciso ir à causa. Fico muito feliz e emocionada com a história de vocês. O trabalho da Associação é belíssimo”, declarou.

“É isso que nos mantém vivos”, acrescentou Rosane Dantas. “É uma forma de transformar a dor, porque ela é diária. O Rafael sempre teve esse olhar para os pobres. A frase que é o nosso lema – “Dê para os pobres tudo o que eles necessitam para ter uma vida feliz e alegre” – ele falava toda noite, quando rezada e agradecia a Deus”, concluiu.

As cestas básicas doadas pela campanha Servidor Solidário à Associação Anjo Rafael foram destinadas a duas comunidades: uma no centro do Fortaleza, a comunidade Germana, e outra no bairro Piratininga, em Maranguape (fotos).

AGRADECIMENTO

“Queremos agradecer o empenho, o esforço e o coração caridoso de todos os que fazem parte da Fundação Sintaf, que nos proporcionaram, neste fim de ano, aumentar consideravelmente a doação de alimentos para aqueles que mais precisam. Pessoas como vocês nos ajudam ainda mais a ter certeza de que o amor existe e a gente pode continuar na nossa missão. Obrigado a todos.” (Fernando Dantas)

 

Casa Lar Batista

A segunda visita do dia foi à Casa Lar Batista, que existe há 15 anos e é coordenada por Adriana Meireles. A entidade faz o acolhimento institucional para crianças com até três anos de idade em grave situação de vulnerabilidade social, com vínculos familiares rompidos e com poder familiar suspenso.

“Nossas crianças estão sob a guarda da justiça. Só recebemos casos graves; o perfil é abandono ou grave violência. Elas são encaminhadas através do Ministério Público ou da 3ª Vara da Infância e, em casos emergenciais, pelo Conselho Tutelar”, explica a coordenadora.

A Casa Lar Batista tem certificação de utilidade pública, mas não recebe nenhum recurso do governo e vive exclusivamente de doações. “Tudo nesta casa foi doado por alguém. No momento não temos muitos parceiros fixos que nos garantam uma certa tranquilidade, mas temos muitos anjos, pessoas que trazem alimentos, fraldas, roupas”, relata Adriana Meireles.

A coordenadora conta que nesse período de Natal as doações chegam em maior quantidade. “Mas a partir de janeiro não chega nada, então eu preciso ter uma reserva. Novas doações só chegarão na Páscoa. Os parceiros fixos nos ajudam a atravessar esse período. A minha preocupação maior é com a alimentação das crianças, a higiene da casa e o pagamento das cuidadoras”.

A Casa Lar Batista desenvolve, ainda, um projeto pioneiro em relação ao acolhimento das crianças – o Projeto Casa, de desenvolvimento biopsicossocial da criança de zero a três anos. “De acordo com dados científicos comprovados, uma criança acolhida por mais de seis meses acaba tendo uma perda de 40% do cognitivo. Por isso não é incomum ver crianças que foram adotadas precisando de acompanhamento especializado muito aproximado, com déficit cognitivo, de atenção, de fala. Mas por que ela tem essa perda? Porque a relação de cuidados pode ser muito boa, mas não existe a relação de afeto. Nós construímos esse projeto para trazer para as nossas essa criança a terapia do afeto. Estamos há um ano sob avaliação interna, com profissionais da área e, com exceção das crianças recém-chegadas, todas as nossas crianças atingiram os marcos de desenvolvimento”, comemora a coordenadora, que é pedagoga e cursa pós-graduação em psicanálise clínica infantil.

De acordo com Adriana Meireles, 99% das crianças da Casa vão para a fila do Cadastro Nacional de Adoção. “A faixa etária para chegar é até três anos e elas só saem quando o caso é concluído. Em média, elas ficam conosco por um ano e meio”. A equipe técnica, formada por voluntários, é composta por psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social e técnicos de enfermagem.

Os desafios são grandes, mas há o propósito maior que vence tudo, conforme destaca Adriana. “Não há sentimento melhor do que olhar para uma de nossas crianças depois de tudo pronto, do processo concluso, história definida, e dizer: meu amor, você vai pra sua casa, chegou a hora. Dá aquela sensação de dever cumprido, de ser uma fada madrinha, um anjo da guarda… Isso porque eu pude fazer parte da vida, da história daquela criança”, finaliza a coordenadora da Casa Lar Batista.

AGRADECIMENTO

“A minha palavra é gratidão. Gratidão à Fundação Sintaf e à campanha Servidor Solidário pelas doações. Saibam que que cada criança que vai ser alimentada e cuidada é como aquele Menino Jesus que vocês acolheram na manjedoura de seus corações. Vocês não sabem a diferença que podem fazer através de gestos como esse” (Adriana Meireles)

 

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