Camilo anuncia operação com Prefeitura nesta terça para fiscalizar aglomerações na Capital

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Na noite desta segunda, ele voltou a enfatizar que a primeira fase do plano de retomada das atividades econômicas liberada apenas em Fortaleza foi montada com responsabilidade e que o Governo irá fiscalizar eventuais descumprimentos

O governador Camilo Santana (PT) anunciou, na noite desta segunda-feira (8), que será realizada nesta  terça-feira (9) uma operação, em conjunto com a Prefeitura de Fortaleza, para fiscalizar aglomerações na Capital. O anúncio foi feito em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

A medida, segundo ele, é necessária diante de ocorrências de concentrações de pessoas nesta segunda, primeiro dia da flexibilização do isolamento social com a retomada de alguns setores da economia, em meio à pandemia do novo coronavírus. No Centro da cidade e em shoppings da Capital, foram registradas filas de pessoas para entrar em comércios, mesmo com os locais funcionando com horário reduzido e com restrições de permanência nos estabelecimentos. Pontos de ônibus também estiveram lotados em diversos horários.

“Amanhã (terça) vão ter várias operações em Fortaleza, porque as pessoas precisam entender que o comportamento delas nessa fase é essencial para a retomada da economia. E nós vamos avaliar nos próximos dias o comportamento delas para decidir se iniciamos a segunda fase. Tudo depende do comportamento das pessoas”, ressaltou Camilo.

O governador ainda salientou que o plano de retomada foi colocado em prática com aval do Comitê de Saúde instalado para acompanhamento da Covid-19 no Ceará, que conta com a participação de 28 instituições, com representantes da Saúde do Estado, Ministério Público e entidades da economia e representantes dos trabalhadores. A decisão da flexibilização das atividades na Capital se deu após os números de casos e óbitos caírem em Fortaleza, bem como indicadores apontarem que a “taxa de ataque” atualmente é inferior a 1% na Cidade. Ou seja, uma pessoa contaminada atualmente transmite a doença, no máximo, para uma única pessoa.

Além disso, Camilo ressaltou que também foram levados em consideração os índices de ocupação de leitos de UTI no Estado e na Capital, que estão abaixo de 80%, assim como a diminuição na busca por atendimento médico de pessoas com sintomas da Covid-19 nas unidades de saúde.

O governador afirmou que, em caso de descumprimento, a fase dois do plano de retomada pode não ser implementada, assim como a fase atual revogada e medidas mais duras de isolamento social voltarem a ser impostas.

“Desde o início da pandemia, todas as medidas que tomamos foram orientadas por especialistas, inclusive seguindo as recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde). Eu não tomo nenhuma decisão sem a autorização do meu secretário da Saúde, Dr. Cabeto, que tem muito respaldo no Ceará. Autorizamos apenas a retomada da primeira fase apenas na Capital, com 30% (dos setores econômicos em funcionamento), mas todo o Ceará continua em monitoramento do isolamento”, reforçou o governador.

Ostensivo policial

Durante a entrevista, o governador foi questionado também sobre a quantidade do ostensivo policial utilizada em ato ocorrido no último domingo (7), em Fortaleza. Ele disse que o número elevado de policiais foi necessário para evitar possíveis confrontos entre grupos, já que atos distintos estariam marcados para ocorrer no mesmo lugar. Além disso, ele afirmou que a medida foi necessária para fazer que o decreto que proíbe aglomerações em espaços públicos fosse cumprido diante do cenário de pandemia.

Camilo disse, ainda, que não tem conhecimento de abusos cometidos por policiais para conter os atos e que, caso sejam identificados, serão investigados pela Controladoria.

“Eu sempre apoiarei qualquer tipo de manifestação em defesa da democracia, porém, nesse momento, vamos nos manifestar pelas redes sociais e evitar aglomerações. Preocupados com confrontos entre grupos de forças diferentes, teve um reforço na polícia. O Estado é independente e tem uma Controladoria para apurar qualquer abuso por parte da segurança pública, porque essa não é a minha orientação nem do meu Governo”, afirmou.

Durante a entrevista, o governador ainda relembrou os motins de policiais ocorridos no início do ano e disse que agentes envolvidos estão sendo investigados, reforçando que não haverá concessão de anistia.

Além disso, ele afirmou que tem dialogado constantemente com as forças de Segurança para valorizá-las cada vez mais e voltou a repetir que episódios como os do início do ano foram inflamados por políticos que queriam tirar proveito da situação.

Críticas ao Executivo

Durante a entrevista, o governador Camilo Santana também fez críticas ao posicionamento do presidente Jair Bolsonaro em “incentivar” as pessoas irem às rua e descumprirem as recomendações de saúde e de isolamento social, além de ainda inflamar ataques contra as instituições democráticas, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso.

“Precisou o STF tomar uma decisão para que estados e municípios tomassem as medidas corretas em relação à pandemia, porque faltou federação. A falta da federação para enfrentar a pandemia é o maior problema que nós estamos enfrentando. É inacreditável você ter a mais de 20 dias um ministério sem ministro em plena pandemia. Um ministério que tenta esconder os números, alegando que isso não é importante para o Brasil”, afirmou.

Apesar das críticas, ele disse acreditar que as instituições democráticas do País não estão ameaçadas, embora seja necessário que a população fique “em alerta”. O governador acrescentou, ainda, que um impeachment nesse momento seria prejudicial para o País.

Alianças

Camilo falou sobre o cenário político nacional e no Ceará, mais especificamente em Fortaleza, e disse que irá continuar lutando por um diálogo entre o PT e o PDT.

“Eu sou um otimista, acredito que sempre será possível (unir PT e PDT), porque nós temos muito mais convergência do que divergência”, enfatizou o governador.

Durante a entrevista, inclusive, Camilo defendeu que o PT e o PDT dialoguem sobre uma aliança em torno de uma candidatura em Fortaleza e deixou  claros alguns pontos de divergência com seu partido, principalmente no que diz respeito a ter candidatura própria em todas as capitais.

“É natural que um partido do tamanho do PT queira ter o máximo de candidatos nas cidades brasileiras. Mas acho que ninguém governa sozinho”, opinou. Ele disse respeitar a posição do PT, mas defendeu ser importante “existir esse diálogo na perspectiva dessa construção por um projeto que seja bom para as pessoas. A política precisa ser feita pensando nas pessoas, e não simplesmente num projeto individual partidário”, concluiu.

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