Temores de que o governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará mais intervenções na economia do que as esperadas pelo mercado provocaram ontem (12) uma forte baixa na Bolsa, além de impulsionarem altas do dólar e dos juros.
Notícias de que o governo discute modificar a Lei das Estatais para permitir nomeações políticas estão no centro dessas preocupações. As supostas alterações poderiam facilitar a condução do ex-ministro petista Aloizio Mercadante ao comando do BNDES e o senador Jean-Paul Prates (PT) para a Petrobras.
A lei das estatais diz que “é vedada a indicação, para o Conselho de Administração e para a diretoria, da pessoa que atuou, nos últimos 36 meses, como participante de estrutura decisória de partido político ou em trabalho vinculado a organização, estruturação e realização de campanha eleitoral”.
Às 17h22, o Ibovespa caía 2,29%, aos 105.068 pontos. Mais cedo, a Bolsa chegou a cair cerca de 3,4%, atingindo a pontuação mínima do dia, de 103.876 pontos.
No mercado de juros futuros, a taxa DI (Depósitos Interbancários) para 2024, que serve de referência para o setor de crédito de curtíssimo prazo, passava de 13,80% para 13,91% ao ano, o que representava a maior elevação desse indicador em uma semana.
Dólar
No mercado de câmbio, o dólar comercial à vista fechou em alta de 1,27%, cotado a R$ 5,3120 na venda.
As ações preferenciais da estatal petrolífera despencavam 3,08%. O Banco do Brasil, outra empresa com peso na Bolsa e que é controlada pelo governo, tombava 3,20%.
Mercadante coordenou o programa de governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e hoje comanda os grupos técnicos da equipe de transição.
“O Mercadante é mais voltado à ampliação da participação do governo nas estatais e, sobretudo na Petrobras, não é isso o que o mercado quer”, disse Gabriel Meira, especialista e sócio da Valor Investimentos.
“No caso do BNDES, há a preocupação da retomada de uma prática como era a do governo de Dilma Rousseff, que buscava construir campeões nacionais, ou seja, financiava grandes empresas que não precisariam desse suporte porque têm acesso ao mercado de capitais”, completou Meira.
Durante a campanha, Lula já defendeu um papel mais ativo para o BNDES durante seu novo mandato. Na semana passada, o próprio Mercadante defendeu que o banco precisa voltar a atuar fortemente no processo de reindustrialização.
Mercadante disse nesta segunda que desconhece “qualquer iniciativa” por parte do governo eleito de alteração na Lei das Estatais. Ele também se recusou a responder se será indicado para comandar algum ministério ou estatal no próximo governo, reportou a agência Reuters.
A tramitação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição na Câmara e a diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), nesta segunda-feira, também estão no foco dos investidores.
O mercado busca pistas sobre a definição da equipe do próximo governo e qual será a política fiscal a ser adotada. A expansão dos gastos públicos é um dos pontos mais sensíveis neste momento.
A semana também tende a ser de cautela global antes da reunião de política monetária nos Estados Unidos, quando o Fed (Federal Reserve) irá divulgar a sua última decisão do ano sobre a taxa de juros do país, na quarta-feira (14).









