Banco Central sobe juros para 12,75% ao ano

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O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) decidiu nesta quarta-feira (4), por unanimidade, subir a taxa básica de juros da economia (Selic) em 1 ponto percentual, de 11,75% para 12,75% ao ano -maior patamar desde fevereiro de 2017, quando a taxa estava em 13%.

O movimento já era esperado por economistas. Essa é a décima alta consecutiva aplicada pelo BC à taxa Selic desde o início do aumento da inflação, em março de 2021. A taxa chegou a ter o menor valor histórico de 2% em agosto de 2020 para impulsionar a economia, debilitada pela pandemia. O choque de juros deste ciclo já é o maior desde 1999, quando em meio à crise cambial, o BC aumentou a Selic em 20 pontos porcentuais de uma vez só.
O Copom justificou a nova alta se baseando no “ambiente externo que seguiu se deteriorando” e com pressões da inflação decorrentes da pandemia do coronavírus, que “se intensificaram com problemas de oferta advindos da nova onda de covid-19 na China e da guerra na Ucrânia”.

Mesmo vislumbrando o fim do ciclo de ajuste monetário, as autoridades do BC destacaram em seu comunicado que a inflação “continuou surpreendendo negativamente” -o mesmo foi dito em março e não houve mudanças significativas desde então.

O Comitê nesta quarta-feira ressaltou que “permanecem fatores de risco em ambas as direções” para a inflação, com destaque para as pressões inflacionárias no exterior e “uma desaceleração da atividade econômica mais acentuada do que a projetada”.
A taxa de inflação em 12 meses até março subiu para 11,30%, a maior desde outubro de 2003. Os preços tiveram uma nova alta após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 24 de fevereiro, atingindo diretamente o valor do combustível e dos alimentos.

Na última semana, o mercado elevou a expectativa de alta dos preços ao consumidor até o final deste ano para 7,89%, contra 6,97% um mês atrás, cada vez mais distante do teto da meta de 5% do BC.

Dólar
Após abrir os negócios nesta quarta-feira (4) em alta frente ao real, o dólar reverteu a tendência no meio da tarde e passou a registrar desvalorização, na esteira da decisão do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) de aumentar em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros americana, para 1% ao ano.
No fechamento da sessão, a divisa norte-americana marcava queda de 1,22%, cotada a R$ 4,9030 para venda. Os índices acionários das Bolsas americanas, que iniciaram o dia no campo negativo, também passaram a registrar ganhos expressivos após a decisão da autoridade monetária americana vir em linha com as expectativa dos agentes de mercado.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 avançou 2,99% e o Dow Jones teve ganhos de 2,81%, enquanto o Nasdaq, onde se concentram as empresas de tecnologia, valorizou 3,19%. O avanço de quase 3% do S&P 500 foi o maior desde 18 de maio de 2020.

Na Bolsa de Valores brasileira, o índice amplo Ibovespa também foi atingido pela onda de otimismo dos mercados e igualmente reverteu a tendência de queda observada no início da sessão. O índice terminou o pregão com ganhos de 1,70%, aos 108.343 pontos.

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