O Banco Central prevê crescimento de 1,8% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2024. Os dados constam no relatório trimestral de inflação divulgado pela autoridade monetária nessa quinta-feira (28/09). A primeira projeção ficou acima das expectativas do mercado financeiro e abaixo das projeções do governo. Para 2024, o Ministério da Fazenda prevê crescimento de 2,3%, enquanto os economistas da iniciativa privada estimam 1,5%.
Já para este ano, o BC revisou novamente a sua projeção para o crescimento do PIB para cima e espera agora um avanço de 2,9%. A última estimativa, divulgada em junho, era de alta de 2%. “Avalia-se que o forte crescimento no primeiro semestre em parte reflete fatores transitórios e que permanece a perspectiva de que a atividade cresça em ritmo menor nos próximos trimestres e ao longo de 2024”, diz.
Segundo a autoridade monetária, a projeção mais elevada para crescimento do PIB para este ano repercute “a surpresa positiva no segundo trimestre e ligeira melhora nos prognósticos para a evolução da indústria, dos serviços e do consumo doméstico”. Ainda segundo o BC, o setor da agropecuária deve contribuir negativamente para as variações trimestrais no restante do ano, em especial no terceiro trimestre, visto que a maior parte da colheita dos produtos com os maiores crescimentos anuais ocorreu no primeiro semestre.
O presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que o crescimento do PIB está sendo revisado para cima tanto para este ano quanto para o próximo e que o mercado financeiro. Ele falou ainda em alta do PIB de 3% em 2023 e de ao menos 2% em 2024. Para o ano que vem, o BC espera variações nos componentes da oferta e da demanda mais homogêneas do que as previstas para 2023 e fala em contribuição dos setores mais cíclicos da economia (ou seja, mais sensíveis ao ciclo econômico doméstico), em um ambiente de gradual flexibilização dos juros.
A respeito da taxa de juros, Campos Neto, seguem as incertezas. “Como hoje a gente ainda está em um momento de grande incerteza, inclusive com incertezas adicionais na parte externa, a gente entende que não tem ganho, o valor esperado não seria positivo, de indicar qual é o tamanho do ciclo neste momento”, disse. Já quanto à inflação, a estimativa do BC para o IPCA é de 5% para este ano -acima do limite superior do intervalo de tolerância (4,75%). Para 2024, o Banco Central vê 24% de chance de a inflação ultrapassar o teto da meta e 7% de ficar abaixo do limite inferior. Para 2025 e 2026, diz haver probabilidade de 16% de o índice estourar o limite superior da margem de tolerância e 12% de ser menor do que o piso.








