As exportações cresceram 19,1% no Brasil em 2022 e o valor importado foi 24,3% superior ao alcançado no ano imediatamente anterior (2021). Com isso, o país registrou superávit na balança comercial fechando o ano em US$ 61,8 bilhões, leve avanço frente ao registrado em 2021 (US$ 61,4 bilhões). Os dados são do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), no Indicador de Comércio Externo (Icomex), divulgados nessa segunda-feira (16/01).
O levantamento mostra que em novembro e em dezembro o saldo surpreendeu com a melhora das vendas para a China, principalmente do setor agropecuário. O superávit do setor extrativo caiu e o déficit da indústria de transformação aumentou.
O aumento nos valores do comércio exterior foi puxado pela variação dos preços, com aumento de 13,7% para as exportações e de 21% nas importações na comparação de 2022 em relação a 2021. Em volume, a exportação cresceu 4,4% e a importação subiu 2,7%.
A participação das commodities exportadas permaneceu a mesma com 68% do valor total e aumento de 13,9% dos preços e de 4,4% do volume. As não commodities variaram 13,5% em valores e 4,7% no volume.
O índice de preços ficou em 130,2, queda de 6,7% em relação a 2011. Já o índice do volume exportado das commodities aumentou 2,4%. Nas importações, as commodities passaram de 8,5% para 11,7% na participação do valor, com o crescimento dos preços de 47,9% entre 2021 e 2022. Em volume, a variação foi de 15,3%. Para as não commodities, as variações foram de 18,3% nos preços e 1,4% no volume. Segundo o instituto, o aumento de preços das importações de commodities foi o maior registrado na série histórica, iniciada em 2008.
“As restrições da oferta agrícola associadas à guerra na Ucrânia e questões climáticas elevaram os preços agrícolas, pois o aumento no volume exportado foi 2,6% menor do que o da indústria de transformação. Na extrativa, preços e volume das exportações recuaram com o desempenho do minério de ferro desfavorável. O déficit na indústria de transformação é recorrente na balança comercial do Brasil desde 2009”, informou a FGV/Ibre.
Agropecuária
Segundo dados da FGV, a agropecuária foi um dos setores que mais contribuíram positivamente para a balança comercial, com o saldo de US$ 46,5 bilhões para US$ 65,8 bilhões entre 2021 e 2022. Por setor, a agropecuária teve variação de 34% nos preços e o volume cresceu 2,6%. Na indústria de transformação, os preços subiram 15,7% e o volume, 8%. Na indústria extrativa, a queda registrada foi de 3,6% no preço e de 0,4% no volume.
Na indústria extrativa, houve queda do superávit, que passou de US$ 63 bilhões em 2021 para US$ 45,5 bilhões em 2022. O setor foi o responsável por 22,8% das exportações do país. A indústria de transformação ampliou o déficit de US$ 45,3 bilhões para US$ 48,5 bilhões, respondendo por 55,7% das exportações brasileiras. A agropecuária correspondeu a 21,3%. A soja, por sua vez, permanece como o principal produto exportado, seguido do petróleo bruto e o minério de ferro, apesar das vendas terem recuado em 35,3% com queda no preço e no volume.







