Aumento dos combustíveis gera efeito imediato na economia cearense

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| Maior reajuste em 14 meses | Petrobras elevou preços de diesel, gasolina e Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha. Anuncio impacta indústria, comércio e serviços

Após 57 dias sem aumentos nos combustíveis, a Petrobras anunciou ontem, 10, a elevação de 18,7% no valor da gasolina; e 24,9% no diesel – a maior em 14 meses. Além dos combustíveis, a companhia efetuou mais um aumento no Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha, de 16%. Os reajustes, de acordo empresários e especialistas ouvidos pelo O POVO, devem gerar efeito negativo imediato na economia cearense, a partir do encarecimento de produtos e serviços.

O preço da gasolina deve variar entre R$ 8,50 e R$ 9 e do diesel entre R$ 7,50 e R$ 8 no Ceará, de acordo com o engenheiro de petróleo e energia, Ricardo Pinheiro Ribeiro, que informa que o Estado costuma seguir o preço médio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Como no preço final do álcool é contabilizado o seu transporte, ele também sofrerá uma elevação, chegando a R$7,50. Já o gás de cozinha, deve chegar a R$ 150.

A corrida por um alguns litros de combustível menos cara foi observada em diversas partes da Capital e Região Metropolitana. Antes mesmo da entrada em vigência, as bombas de postos no Ceará foram alteradas, já adiantando aumento aos consumidores. Nos que mantiveram os preços, as filas de automóveis foram formadas ainda de tarde e se estenderam noite a dentro. Sem se importar com a ocupação dos acostamentos ou mesmo semáforos próximos, os veículos se amontoavam em filas na espera de abastecer.

No Brasil, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Fertilizantes (Fecombustíveis) calcula que, com o aumento anunciado pela Petrobras, a gasolina deve subir para média de R$ 7,02 o litro no País, contra a média atual de R$ 6,57 por litro. Já o diesel vai subir para uma média de R$ 6,48 o litro, contra a média atual de R$ 5,60 o litro.

Com a influência desse aumento, todos os outros setores que dependem do deslocamento, como indústria, comércio e serviços, serão impactados de imediato. Ribeiro acredita que no Ceará o setor de transporte por aplicativos e os táxis devem ter um aumento mínimo de 10% nos próximos dias. “Os alimentos tendem a ficar mais caros em virtude da alta do frete. A energia elétrica também, em alguns casos, por conta da crise hídrica e a utilização do diesel. É possível que alguma taxa seja aplicada atingindo as residências”, declara o especialista.

Variação

Em relação ao aumento no setor alimentício e industrial é difícil fazer estimativas pois depende do deslocamento entre a produção e o centro consumidor. “Empresas de cimento já sinalizaram que farão elevação na próxima semana. Temos empresas em Sobral e Quixeré. O trigo é outro item que já vinha sofrendo elevação com a guerra da Rússia contra a Ucrânia e sentirá mais impactos. As cidades do interior recebem trigo originado de Fortaleza”, analisa Ribeiro.

Fatores como a política de preço internacional, que já beirava os 50% de defasagem em relação aos valores praticados pela estatal, e as falhas nas tentativas de aprovação junto ao Congresso Nacional das novas regras sobre a incidência no cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos combustíveis possivelmente motivaram esse anúncio da Petrobrás, segundo Ribeiro.

“Essa elevação vai ser muito pesada para população que já vem sendo impactada pela inflação. O setor produtivo já está há anos sendo atingido pela pandemia, com redução no Produto Interno Bruto (PIB). A guerra gerou um rebuliço no setor energético. Temos receio que se inicie um processo de recessão”, avalia o engenheiro de petróleo e energia.

Sindicatos

O assessor de economia do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Ceará (Sindipostos), Antônio José Costa, é taxativo ao afirmar que é preciso ter cautela e não fazer especulações. “Temos que ter calma, por conta do conflito internacional que interfere nas commodities. O dólar hoje está no patamar do início da guerra da Rússia contra a Ucrânia e o Brasil está tendo um acompanhamento econômico com o ministro Paulo Guedes. O que pesa contra nós é o preço do barril do petróleo”, diz.

Em sua visão, é impossível prever valores para as próximas semanas pois os combustíveis seguem a política de preço livre, ou seja, o reajuste dos combustíveis cabe a cada agente econômico, do poço ao posto revendedor, que estabelecem seus preços de venda e margens de comercialização em cenário de livre concorrência.

O presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello, recebeu com naturalidade, assim como o Sindipostos. “Não sabemos o manejo das empresas e cada qual deve lidar com seus custos, mas naturalmente é sabido que não existe margem para absorção de um aumento tão significativo, em um único movimento”, diz. Sobre próximos aumentos “É impossível prever, mas as pressões de alta seguem presentes especialmente devido aos eventos em curso no Leste Europeu”, conclui.

Fonte: O POVO

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