ARTIGO| O Ceará na economia do hidrogênio verde

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Roberto Macêdo

A inauguração da primeira linha de 14 trens movidos a hidrogênio na Alemanha, para operação em uma distância de 100km, é uma demonstração concreta e inequívoca de que o mundo caminha na busca de soluções sustentáveis para a questão energética. A substituição de combustíveis fósseis por hidrogênio avançará nos próximos anos em todo tipo de meio de locomoção, seja terrestre, marítimo ou aéreo.

A corrida pela tecnologia de hidrogênio e pela infraestrutura necessária à sua produção e transporte ainda é incipiente, mas aponta para uma demanda global incalculável e, neste aspecto, tanto o nosso estado quanto a região nordeste são abundantes de fontes de energia limpa, principalmente o sol e o vento, absolutamente indispensáveis à produção de Hidrogênio Verde (H2V).

Para tornarmo-nos grandes produtores de H2V, serão necessários investimentos em toda a cadeia produtiva, que abrange o fornecimento de placas solares, suportes, torres de transmissão de eletricidade, isoladores, cabos, transformadores, conversores, geradores eólicos e outros equipamentos, além da logística para armazenamento e transporte. Neste aspecto, o Ceará, além de sua localização geográfica, dispõe de outros fatores diferenciais de atração para esses investimentos, tais como o Complexo Industrial e Portuário do Porto do Pecém (CIPP) e uma ZPE (Zona de Processamento de Exportação).

Essa nova tecnologia exige conhecimentos técnicos em níveis altamente especializados. Participar desse jogo requer que tenhamos também engenharia e mão de obra bem treinadas e preparadas para fazer acontecer. Isso somente será possível se começarmos agora a nos capacitar, educando e treinando dezenas de milhares de jovens cearenses para este novo e promissor mercado de trabalho.

Em que pese todo o empenho que já vem sendo aplicado pelo Estado, pela Federação das Indústrias e pelos centros educacionais profissionalizantes no sentido de viabilizar esse grande projeto, é chegada a hora de pormos toda a nossa energia na criação de um ecossistema específico para o cumprimento dessa missão, constituído de empresas, universidades e governos. Mãos à obra!

Fonte: O Povo

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