Artigo: “Bárbara de Alencar e a economia no Cariri”, por Luiz Carlos Diógenes

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Olhando para o futuro, pisando firme no presente, o Governo do Ceará anunciou a liberação de recursos financeiros a serem empregados no acesso à comunidade onde Patativa do Assaré deixou raiz.

Uma clara intenção de política desenvolvimentista pela via do turismo. O poeta popular, consagrado e imortal, ”patativando” os sertões de poesia, além da cultura, reúne forças para mover a roda da economia de uma região.

Se este mesmo olhar visionário alargar o foco, a partir de Assaré, enxergará o Distrito de Itaguá, em Campos Sales. Uma comunidade secular, plena de tradições culturais ainda vivas, com igrejinha no alto, estaqueando os céus, na qual se conserva, definitiva e eternamente, os restos mortais da heroína nacional Bárbara Pereira de Alencar.

A mão indutora do Estado pode alicerçar o turismo, não só histórico e cultural, mas também o ecológico do Cariri Oeste, a partir desta comunidade rural, entre colinas, com seus sítios geológicos, Boqueirão e adjacências, ressudando vestígios de povos originários.

Bárbara de Alencar, heroína da Insurreição de 1817, primeira republicana brasileira, mãe e avó de figuras imortais da história e da literatura nacionais, morreu aos 72 anos, em 1832, nos limites do Piauí com o Ceará, onde se refugiara da revolução do monarquista Pinto Madeira.

A casa, testemunho de seus últimos suspiros, ainda resiste ao tempo, convidando a ensinamentos intergeracionais, a fim de que um povo não pague caro por ignorar sua história.

Se nasceu em Exu-PE em 1760, sua vida política, econômica e cultural se deu no Crato; viveu ativamente no Cariri, muito à frente de seu tempo. E foi enterrada como mulher poderosa que era, na igreja mais próxima. Lá ela está, concreta e simbolicamente, vertendo energia de potencial exploração turística.

Uma decisiva ação política estatal, além de evitar o memoricídio, faria emergir e usinar na cabeça das gerações vindouras a história passada, abrindo ainda caminhos para o desenvolvimento da economia pela via da cultura no Cariri Oeste.

Fonte: O Povo – Opinião

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