Alta nos custos de operação é o maior desafio para os pequenos empreendedores cearenses

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| RETOMADA DA ECONOMIA | De acordo com pesquisa do Sebrae e da FGV, apenas 2% ainda considera a pandemia como maior obstáculo ao negócio
A Covid-19 deixou impacto em diversos setores da economia, principalmente para os pequenos negócios. Mas o aumento dos custos (insumos/mercadorias, combustíveis, aluguel e energia) é o obstáculo que mais pesa ao microempreendedor atualmente.
A maior parte das empresas ainda não conseguiu retomar patamar de faturamento pré-pandemia (Foto: Thais Mesquita)
Foto: Thais MesquitaA maior parte das empresas ainda não conseguiu retomar patamar de faturamento pré-pandemia

Os dados, exclusivos ao O POVO, são da 14ª edição do levantamento sobre o impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios, realizado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

No Ceará, 51% dos respondentes afirmaram que a escalada dos custos é a principal dificuldade para o negócio, seguido de 21% apontando que a falta de clientes também é um problema.

A pesquisa, feita por meio de formulário on-line, levou em conta as respostas de 13.205 empreendedores de todos os estados – 386 do Ceará – composta por 60% Microempreendedor Individual (MEI), 34% Microempresas (ME) e 6% Empresas de Pequeno Porte (EPP).

Encarecimento e falta de insumos são desafios aos empreendedores
Encarecimento e falta de insumos são desafios aos empreendedores (Foto: FERNANDA BARROS)

Faturamento ainda é menor em relação ao pré-pandemia

O estudo apresenta dados sobre o faturamento dos negócios, comparado a antes da pandemia. Todos os estados registraram taxa elevada de diminuição das vendas mensais, com 64% dos microempreendedores cearenses afirmando que o volume de comercializações diminuiu. O Ceará figura como o terceiro estado do Nordeste com a maior taxa nesse recorte.

Para as empresas que estão enfrentando essas dificuldades, o analista da unidade de Gestão Estratégica do Sebrae, Kennyston Lago, avalia o que pode ser feito. “É hora dos empreendedores fazerem uma análise cuidadosa e criteriosa da gestão financeira da empresa para saber onde podem atuar, sobretudo quanto ao fluxo de caixa, controle de estoque e identificação de dívidas.”

As dificuldades na hora de acessar o crédito

O levantamento também traz dados sobre a busca dos empreendedores por empréstimos bancários desde o início da pandemia. O Ceará é o estado com maior taxa, com 62% dos respondentes afirmando que realizaram pedido de empréstimo ao banco. Quanto à solicitação, 56% conseguiram, 38% não conseguiram e 6% estão aguardando resposta.

Apesar da alta taxa, 2021 foi o ano em que os empresários mais solicitaram empréstimos, chegando a 43% do total. Entre as micro e pequenas empresas, a porcentagem bateu os 49%, já entre os microempreendedores individuais, 37%.

Kennyston Lago explica que os donos de pequenos negócios estão mais cautelosos quando o assunto é crédito.

“Essa estagnação na busca por empréstimos pode ser explicada por dois fatores: o primeiro está relacionado ao elevado endividamento das empresas que, além de estarem mais cuidadosas ao procurar novo crédito, também enfrentam mais dificuldades para comprovar às instituições financeiras sua capacidade de pagamento.”

O segundo fator que ele descreve é o impacto da alta dos juros, que torna os novos empréstimos mais caros do que eram no ano passado, inibindo a busca por novas operações.

Quando questionados sobre qual frase representa melhor a situação na qual se encontram no momento, 46% dos microempreendedores responderam que ainda tem dificuldades para manter o negócio. Outros 23% disseram que “os desafios provocaram mudanças que foram valiosas para o empreendimento”, 19% afirmaram que “o pior já passou” e 12% estão “animado com as novas oportunidades”.

O Povo

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