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Estados brasileiros saem do vermelho

Publicado em 01/03/2010



A deflação do IGP, que indexa dívidas dos Estados e União, reduziu a carga de juros e fez com os estados brasileiros conseguissem superávit nominal pela primeira vez em 16 anos

Os Estados brasileiros tiveram pela primeira vez, em 2009, desde 1994, um pequeno superávit fiscal nominal (que inclui o pagamento de juros), de 0,06% do Produto Interno Bruto (PIB).

``Isso é surpreendente, já que, até a década de 90, os Estados eram conhecidos pela falta de disciplina fiscal``, comenta o economista José Roberto Afonso, assessor do Senado, que levantou dados do desempenho nominal e primário (exclui juros) da União e do conjunto dos Estados e municípios desde 1994.

O resultado nominal dos Estados em 2009, na verdade, deve-se em boa parte a um grande recuo na carga de juros, de 1,85% do PIB (em 2008) para 0,47%. Essa queda está ligada à deflação em 2009 do Índice Geral de Preços (IGP), que indexa dívidas estaduais com a União.

Afonso considera, porém, que, mesmo levando em conta a redução dos juros em 2009, os Estados - e também os municípios - mostraram um desempenho fiscal, diante da crise financeira global, melhor que o da União. Sua análise foi feita com o pano de fundo da política anticíclica, cujo objetivo é estimular a atividade econômica com uma piora do resultado fiscal do governo, o que significa um aumento líquido dos gastos na economia como um todo. As duas formas mais consensualmente aceitas de aplicar esse remédio são a queda dos impostos e o aumento dos investimentos.

Na visão de Afonso, mesmo apresentando queda do seu resultado primário menor que a da União, os Estados e municípios absorveram uma parte proporcionalmente maior da redução anticíclica de impostos, sem sacrificar investimentos.

Segundo o levantamento do economista, enquanto o superávit primário da União caiu 43% de 2008 para 2009, saindo de 2,37% para 1,35% do PIB, o superávit primário dos Estados e municípios recuou 34%, de 1,02% para 0,67% do PIB

Crítica

O Secretário da Fazenda do Ceará, Mauro Benevides Filho, afirma que o Estado já vem fazendo seu ``dever de casa`` quando o assunto é organização fiscal. Conforme comentou, o superávit nominal dos estados não vinha apresentando resultado positivo em função da ``indisciplina fiscal`` dos estados mais ricos. ``A maioria dos estados são desorganizados financeiramente. Eu tiro pelo endividamento. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul são os mais endividados``, ressaltou. (com a Agência Estado)

DICIONÁRIO

SUPERÁVIT NOMINAL


É o resultado positivo das contas públicas, incluindo o pagamento de juros de dívidas. É quando a receita é maior do que as despesas. Se esse resultado não incluir o pagamento de juros, denomina-se ``superávit primário``. Tributos são exemplos de receitas. Juros, investimentos e salários as principais despesas.

E-MAIS

SUPERÁVIT NO CE


>2007. Em 2007, o superávit nominal (que inclui pagamento de juros das dívidas) do Ceará foi de 1,026 bilhão.

>2008. Em 2008, o Estado chegou à cifra de 1,079 bilhão de superávit nominal.

>INVESTIMENTOS. Os resultados fiscais de 2009 ainda não foram fechados, mas o secretário da Fazenda, Mauro Filho, afirma que será mais um ano de superávit. Desta vez, por volta de R$ 500 milhões. ``Essa redução se deve ao volume de investimentos, que passou de R$ 600 milhões (média em 19 anos) pra investir R$ 2 bilhões``, explica.

Fonte: O Povo


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